Missionários na África alcançam caminhoneiros muçulmanos: “Eles têm fome da Palavra”

O ministério entre os caminhoneiros da África Ocidental começou em cinco países e ainda está em expansão.


Pastor de Burkinabé, Bonogo Fulgence, batiza dois caminhoneiros em Ouagadougou, Burkina. (Foto: Reprodução / IMB)
Um grupo de missionários tem concentrado seu trabalho de evangelismo e atendimento médico gratuito a caminhoneiros da África Ocidental, muitos dos quais de confissão muçulmana.

Na região, dirigir caminhões é um trabalho perigoso e estressante. Os motoristas enfrentam insegurança no emprego, ameaça de serem roubados, extorsão de policiais corruptos e barreiras culturais e linguísticas ao atravessarem as fronteiras, levando as importações da costa para países sem litoral no leste.

Nesse ambiente desafiador, onde os cristãos se oferecem para ajudar os caminhoneiros, uma missionária recebeu o consentimento para orar por Ahmed*.

Enquanto ele se preparava para deixar o porto e transportar sua próxima carga, Ahmed não se importou de receber a oração de uma cristã, mesmo sendo muçulmano. Depois, seguiu seu caminho.

Quando Ahmed viu os crentes no porto novamente, alguns meses depois, reuniu um grupo de amigos e foi conversar com eles. Na última vez, os cristãos perguntaram se ele ouviria uma história, mas ele estava com pressa de sair. Agora, ele queria saber mais.

"Deus respondeu à oração deles", testemunhou Ahmed a todo o grupo. "Agora, vamos ouvir a história deles".

Cada vez que Ahmed voltava ao porto, encontrava os missionários e pedia para ouvir outra história. Com o passar dos meses, ele entendeu seu pecado e sua necessidade de um Salvador e depositou sua fé em Cristo.

Ministério com caminhoneiros

Ele é apenas um dos muitos caminhoneiros da última década que ouviram e acreditaram no Evangelho através de um ministério para caminhoneiros que a missionária do IMB Katee Sheppard* ajudou a começar.

Quando Sheppard se mudou para o Togo em 1998, seu trabalho como coordenadora de logística a manteve cruzando toda a África Ocidental, ajudando outros missionários com necessidades práticas.

Enquanto viajava pela região, começou a notar os motoristas e percebeu que eles estavam espalhando mais do que apenas importações.

Historicamente, o Islã se espalhou na África de grupos muçulmanos no leste para outros grupos no oeste através de rotas comerciais. Como as mercadorias eram trocadas ao longo das rotas, o mesmo acontecia com as culturas.

Hoje, as rotas de caminhões são equivalentes modernos dessas rotas comerciais. Os caminhoneiros trazem sua cultura com eles enquanto viajam, assim como os comerciantes. Sheppard pôde ver evidências disso, ao perceber cada vez mais mesquitas nas cidades que ela sabia serem centros de caminhões.

Sheppard teorizou que os motoristas eram uma das principais fontes da propagação do Islã por toda a região e teve uma visão para mudar aquela situação.

"Eu pensei, por que eles não podem espalhar o Evangelho?", ela disse.

Expansão missionária

Mais de uma década depois, essa semente de uma ideia deu muitos frutos. O ministério entre os caminhoneiros da África Ocidental começou em cinco países e ainda está em expansão. Uma rede de 70 crentes locais se formou para apoiá-lo. Novos crentes foram batizados e igrejas foram plantadas em alguns portos e capitais que estão transportando caminhões.

Tudo isso começou com uma abordagem muito simples. Motoristas de caminhão chegam aos portos para trabalhar, mas às vezes precisam esperar dias ou até semanas pelas cargas. Por isso, os portos realmente funcionam como pequenas cidades.

Os motoristas comem lá e se reúnem para passar o tempo. Sheppard e alguns crentes nacionais começaram a ir ao porto de sua cidade e apenas perguntando aos motoristas se eles tinham tempo de ouvir uma história.

Muitas culturas africanas são culturas orais. Eles têm longas tradições de transmitir conhecimento de geração em geração, compartilhando histórias entre si. Portanto, as histórias da Bíblia costumam ser a maneira mais eficaz de ajudar o Evangelho a ganhar vida.

Sheppard disse que ficou impressionada com a capacidade de resposta dos motoristas.

"Acho que nunca alguém se recusou a compartilhar uma história", disse ela. "Eles estão esperando alguém vir e compartilhar com eles. É uma coisa incrível."

Campo maduro

Leah Givens*, outra missionária do IMB que ajuda no ministério dos caminhoneiros, disse que os motoristas geralmente ficam contentes por alguém ter tempo para falar com eles.

"Estou impressionada com a fome que eles têm de ouvir a Palavra", disse Givens. "É realmente um campo maduro."

Como os caminhoneiros são transitórios, discipular quem se converte pode ser desafiador. Eles também podem enfrentar forte perseguição em seus países de origem. Ao longo dos anos, porém, uma rede de crentes nacionais se desenvolveu para apoiar o ministério.

Quando os motoristas são receptivos a ouvir histórias, recebem um cartão de visita com números de contato de pessoas nas rotas de caminhões com as quais podem ligar para se conectar e ouvir mais. Essas conexões se tornam um sistema de apoio aos motoristas que confiam em Cristo.

O envolvimento de tantos crentes nacionais no ministério deu origem a outra necessidade. Eles precisavam de mais histórias em sua caixa de ferramentas para poder explicar melhor o plano redentor de Deus de todas as Escrituras.

Treinamento

Essa necessidade se transformou em um ministério de treinamento de histórias orais, "Story Together", que equipou pessoas de diversos grupos de idiomas da África para compartilhar o Evangelho por meio de histórias bem elaboradas. O Story Together é liderado por nacionais, assim como o ministério dos caminhoneiros.

Começou como um movimento de base para treinar os homens que se voluntariaram com os caminhoneiros e cresceu para treinar liderança em várias associações batistas, além de pastores e professores de seminário. Em seguida, veio o treinamento de mulheres de oito grupos de idiomas diferentes para ensinar outras mulheres em suas regiões.

Embora muita coisa tenha mudado desde que Sheppard começou a orar para que Deus trabalhasse entre os caminhoneiros da África Ocidental, sua visão permanece a mesma.

"Meu sonho desde o início era, e ainda é, que os caminhoneiros da África Ocidental levem o Evangelho até os confins desta parte do mundo", disse ela.

"É a Palavra de Deus que transforma as pessoas e nada mais", afirma a missionária.
* Os nomes foram alterados por segurança.
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