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Pastor é forçado a fazer ritual hindu na Índia: “Disseram que me cortariam em pedaços”

O líder ainda foi atacado e perdeu a audição de um dos ouvidos.

Os criminosos que atacaram e ameaçaram o pastor Brandari não foram punidos. (Foto: Reprodução/YouTube).

O pastor Sanjay Bhandari foi atacado e torturado por uma multidão de radicais hindus no início deste mês, na Índia. Após o ataque, o pastor precisou ser internado e perdeu a audição de um dos ouvidos.

O caso aconteceu quando o pastor e sua esposa visitavam a cunhada no estado de Karnataka.

“Enquanto ainda estávamos tomando chá, alguns homens invadiram a casa e, agarrando-me pelo colarinho da camisa, me arrastaram para fora, acusando-me de realizar conversões”, disse o pastor Bhandari ao Morning Star News. “Eu tentei muito explicar que era a casa dos meus parentes e que estávamos apenas fazendo uma visita casual, mas os homens se recusaram a ouvir”. 

Ignorando a explicação do pastor e o apelo da família, uma multidão de cerca de 60 extremistas o levaram para a igreja, onde Sanjay realiza cultos nos domingos há cinco anos. “Eles continuaram a me bater enquanto me arrastavam. Eles abusaram de mim e de Jesus Cristo em linguagem suja”, relatou o pastor Bhandari.

A multidão o acusou de estar convertendo sua comunidade ao cristianismo e a família que visitava, embora a cunhada já seja cristã. “Eles me bateram nas partes íntimas, no rosto, no peito e em todo o corpo, acusando-me de tentar converter minha cunhada. Tentei dizer-lhes que a casa pertence à minha cunhada e que já são cristãos e membros da minha igreja”, disse o pastor.

Gritando versos hindus, a multidão também acusou Brandari de obrigar a conversão de um ex-hindu, Santosh Satpute. De acordo com Santosh, ele disse aos radicais que havia se convertido por vontade própria e que ninguém o tinha obrigado a mudar de religião.

“Quando tentamos resgatar o pastor Sanjay, a multidão me agrediu junto com o pastor Sanjay, sua esposa e seu irmão Bhimshen. Fiquei ferido no peito e na orelha”, disse Satpute. 

O pastor Brandari também foi obrigado a realizar rituais hindus. “Eles torturaram o pastor Sanjay física e mentalmente. Ele foi forçado a realizar rituais hindus contra sua vontade. O assédio e a tortura que ele sofreu estão além da descrição”, contou Santosh Satpute.

Brandari insistiu com os hindus radicais para irem à polícia resolver o assunto, mas eles não aceitaram, o ameaçaram e foram embora. “Eles avisaram que me cortariam em pedaços se eu dirigisse a igreja novamente”, disse.

O pastor precisou ser internado no Instituto de Ciências Médicas de Belgaum para tratamento do ouvido e partes íntimas e das lesões no ombro e tórax.  O ataque danificou o tímpano de um dos ouvidos do pastor, causando perda de audição.

Impunidade e processo arquivado

Brandari e outros líderes cristãos encontraram dificuldades em registrar o crime à polícia local. Somente após a insistência dos líderes e a entrega de um memorando pelo advogado do pastor, que a delegacia de Shahapura abriu acusações contra sete agressores por reunião ilegal, tumulto, causar danos voluntariamente, contenção indevida, provocação e intimidação criminal, de acordo com o Código Penal Indiano.

Conforme o oficial responsável pelo caso, nenhuma prisão foi realizada e a investigação foi concluída. “Teremos que lutar em níveis mais altos para sermos ouvidos. Eles têm como alvo intencional a comunidade cristã, pastores e seguidores da fé. Eles estão trabalhando com uma estratégia bem planejada”, denunciou o advogado do pastor Brandari.

Os líderes cristãos da região condenaram o ataque ao pastor Brandari. “Inicialmente, igrejas e reuniões cristãs foram atacadas - é extremamente chocante que agora uma visita pessoal à casa de um parente também seja questionável, e você pode enfrentar a brutalidade dos capangas hindus. Não vamos ficar calados. Levaremos isso às autoridades”, disse o reverendo T. Thomas, presidente da Associação de Pastores de Karnataka.

Ataques a cristãos tem se tornado mais comuns na Índia, desde que partido nacionalista hindu Bharatiya Janata assumiu o governo em 2014. Neste contexto, extremistas hindus se sentem encorajados a perseguir não-hindus em várias partes do país, acreditando que ficaram impunes.

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