Cristãos são acusados de espalhar o coronavírus em países de maioria muçulmana

Alerta foi feito pela Portas Abertas, que afirma que "a epidemia pode erradicar a igreja na Síria"


Mulheres usam máscaras em um campo para deslocados na província de Idlib. (Foto: Aaref Watad / AFP)
Os cristãos têm passado por dificuldades para obter a ajuda fornecida pela administração pública e rumores os relacionam à disseminação do coronavírus em diversos países, de acordo com as informações compiladas pela Portas Abertas.

A organização descreve essas situações como "sérias". Eles explicam, por exemplo, que em locais onde a propagação do vírus já reduziu o suprimento de alimentos, a situação das minorias cristãs foi drasticamente afetada.

“Em alguns países com escassez de alimentos, aumento de preços e fechamento de tantas empresas, as pessoas já vulneráveis ​​são as que sempre suportam o peso”, diz a Portas Abertas.

Além disso, "os cristãos são ignorados ou deixados para o final, quando a ajuda fornecida por entidades governamentais é distribuída", acrescentam.

Uma das principais preocupações da entidade é a Síria, onde, com uma infraestrutura médica consumida pela guerra, "a epidemia pode reduzir o país a cinzas novamente". “Sendo uma das minorias mais afetadas pela guerra, os cristãos já estão em uma posição difícil. Isso poderia erradicar a igreja inteira”.

Rumores contra os cristãos

Segundo ainda a Portas Abertas, em países da África Subsaariana, como Burkina Faso e Uganda, "o extremismo islâmico está espalhando o boato de que os cristãos são os principais transmissores do vírus". "Isso acrescenta mais rejeição à cristãos pela população em geral", apontam.

Outro exemplo de discriminação contra os cristãos que a organização relatou é o encaminhamento de pacientes diagnosticados com Covid-19 para profissionais de saúde cristãos.

Especificamente, eles informam sobre um país de maioria asiática e muçulmana (o nome do país não é mencionado por razões de segurança) onde "casos de coronavírus estão sendo atribuídos ao pessoal de saúde cristão, para que o pessoal muçulmano não precise enfrentar um possível contágio".

“Isso é muito sério porque, como está acontecendo em muitos países, não há material protetor suficiente”, acrescenta a entidade.

Apesar de todos esses casos de discriminação diária, a Portas Abertas também alega não ter notícias "de qualquer governo que tenha tentado tirar proveito da situação para endurecer suas leis contra os cristãos".
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