Mais de 1.200 cristãos nigerianos foram assassinados no primeiro semestre de 2020

Segundo a organização nigeriana Intersociety, os números reais podem ser ainda maiores que os registrados, devido à deficiência dos registros governamentais.


Cristãos protestam contra a intolerância religiosa na Nigéria. (Foto: AFP via Getty Images/KOLA SULAIMON)
Um grupo de defesa da liberdade civil na Nigéria estima que 1.202 cristãos foram mortos no país, somente nos primeiros seis meses de 2020 por jihadistas, pecuaristas radicalizados e outros, já que mais 22 cristãos foram mortos no estado de Kaduna no fim de semana passado.

Enquanto grupos de direitos humanos continuam manifestando preocupação sobre crimes "genocidas" cometidos na Nigéria, a Sociedade Internacional para Liberdades Civis e Estado de Direito, com sede em Anambra, lançou um novo relatório afirmando que nada menos que 1.202 cristãos foram mortos entre janeiro e junho de 2020.

A Intersociety, uma organização liderada pelo criminologista cristão Emeka Umeagbalasi, conta com o que considera ser credível na mídia local e estrangeira, como relatórios governamentais, de grupos de direitos internacionais e de testemunhas oculares para compilar dados estatísticos. Devido à falta de manutenção adequada de registros governamentais, os números de mortes relatados pelos meios de comunicação devem ser interpretados apenas como estimativas, podendo ser ainda maiores, na realidade.

Segundo o relatório, a maioria do número de 1.202 mortes de cristãos, estimado pela Intersociety nos primeiros seis meses de 2020 se devem principalmente aos 812 assassinatos cometidos por membros da comunidade de criadores de gado da etnia Fulani, que são predominantemente muçulmanos foram radicalizados para realizar ataques contra comunidades agrícolas predominantemente cristãs nos estados do Cinturão Médio, ricos em agricultura.

Além disso, 390 mortes de cristãos foram atribuídas a assassinatos cometidos por grupos islâmicos radicais no nordeste, como o Boko Haram e a província da África Ocidental do Estado Islâmico, além de outros autores, como bandidos armados.

"Milhares de cristãos indefesos que sobreviveram a ataques com facões, também foram feridos e deixados em condições mutiladas, com vários deles aleijados por toda a vida", afirma o relatório da Intersociety. “Centenas de cultos cristãos e centros de aprendizado foram destruídos ou queimados; da mesma forma milhares de casas, fazendas e outras propriedades pertencentes a cristãos foram destruídas”.

Como os radicais Fulani atacaram cada vez mais as comunidades agrícolas cristãs nos últimos anos, os assassinatos foram rotulados pelo governo nigeriano e por alguns grupos de direitos humanos como parte dos conflitos de décadas entre pecuaristas e agricultores na África. No entanto, os defensores das comunidades cristãs nigerianas sustentam que o rótulo de "conflito entre pecuaristas e agricultores" é enganoso, porque não leva em conta outros fatores em jogo, como elementos religiosos.

"Todas as áreas sob ataques jihadistas de pecuaristas são comunidades cristãs até o momento", diz o relatório da Intersociety. "Não há evidências em nenhum lugar mostrando assassinatos de muçulmanos e tomada de posse de suas terras, fazendas e casas ou destruição ou incêndio de mesquitas pelos Fulani jihadistas ".
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