Pastores relatam destruição em Beirute: “Nem a guerra nos atingiu com tanta força"

Até o momento, a explosão em Beirute causou pelo menos 137 mortos e mais de 5.000 feridos; os danos materiais são enormes.


Cenas de guerra após explosões em Beirute, na quarta-feira (04). (Foto: Reprodução / Facebook)
Carros voaram pelo ar, janelas quebraram, casas desabaram. Os mortos e feridos jaziam nas calçadas e sob os escombros deixados pela explosão na área do porto de Beirute que devastou bairros inteiros.

Scott Keranen é um missionário da Juventude para Cristo e vive no Líbano há dez anos. Ele conta que quando as explosões aconteceram em Beirute, na terça-feira (04), ele estava com alguns amigos e ficaram confusos sobre exatamente o que estava ocorrendo.

"A primeira coisa que aconteceu foi a casa tremer e eu pensei que era um terremoto. A energia foi desligada e houve um breve intervalo; o vento entrava, e de repente todas as fendas de cada parapeito da janela saíam com poeira”, relatou Scott.

"Então eu pensei 'bomba'... parecia um furacão misturado com uma bomba e continuou por alguns segundos e depois parou. Foi um momento muito aterrador para mim e meus convidados em casa”, disse o missionário.

A Igreja Evangélica Nacional de Beirute, a apenas meia hora a pé da explosão, publicou várias fotos do local. Para o pastor, eles viveram livramentos ao terem vidas poupadas da tragédia.

"Agradecemos ao Senhor que os membros de nossa congregação não foram fisicamente prejudicados pela explosão e, à medida que continuamos nossa tradição de reconstruir após um desastre, oramos por aqueles que perderam seus entes queridos, seus lares e seus bens".

Muitas instituições de caridade foram direto ao trabalho, fornecendo comida. Uma delas era a Triumphant Mercy, que faz trabalhos de assistência para crianças.

Segundo o voluntário Nuna Matar, eles tiveram persianas quebradas. Quando as explosões ocorreram, eles estavam entregando sanduíches para os sem-teto da capital libanesa.

George Makeen, que trabalha para a emissora de televisão cristã Sat-7, estava em Chipre e relatou o que viu: "Ouvi o barulho da explosão. Pensei que houvesse uma tempestade, no dia anterior à tempestade, o que é raro naquela época. Eu estava olhando para o céu, estava muito claro. Algumas pessoas pensaram que os turcos estavam atacando Chipre novamente, não sabíamos o que era”.

Em meio à confusão, George diz que começaram a ouvir as notícias da explosão. “Não acredito que fomos capazes de ouvir o barulho em Chipre. Estou a 240 quilômetros do porto de Beirute. Portanto, para que o barulho atravesse o oceano, isso indica o tamanho [da tragédia]", disse.

Trabalho missionário com crianças

O pastor Said Deeb trabalha no “Life Center” em Beirute - que administra clubes infantis, fornece comida a refugiados e fica a 20 minutos de carro do local da explosão. Ele disse que estava aliviado por ter mandado todos os trabalhadores para casa mais cedo na terça-feira (04), antes de o desastre acontecer.

Deeb disse ao Premier que normalmente, há 34 pessoas e 240 crianças no Life Center todos os dias.

"Agradeço a Deus que ninguém estava aqui pois, se houvesse alguém aqui, eles estariam mortos porque as janelas voavam de um lado para o outro, e levavam tudo entre elas - as cortinas, o ar condicionado, as mesas, os computadores, as televisões", descreveu Said.

O pastor agora está arrecadando dinheiro para reparar os danos do local: "A igreja está sem cortinas, sem janelas, sem portas. As câmeras caíram, quebraram as telas da TV - algumas delas ainda estão funcionando - quatro ou cinco telões quebraram. O apartamento da igreja está sem portões, sem janelas. Você vê buracos na parede, grandes buracos, mas sem metal, sem alumínio, nada. Todas as molduras foram removidas".

Said filmou e postou fotos dos danos mostrando janelas no meio das salas da escola dominical, partes do teto e fios pendurados em escritórios e mesas e vasos de plantas virados de lado nos corredores.

Escola de teologia

George Sabra, presidente Escola de Teologia do Oriente Próximo (NEST), relata grandes danos à propriedade da igreja, mas felizmente ninguém foi ferido na congregação nem no colégio de teologia.

Após a explosão devastadora em Beirute, a Evangelischen Kirche in Hessen und Nassau (EKHN) está lançando uma ação de ajuda à Escola de Teologia do Near East School of Theology, uma instituição com quem etm parceria para treinar pastores.

“Agradecemos a Deus que a explosão violenta que devastou a maior parte de Beirute na noite passada por volta das 18h não feriu ninguém no NEST. Nem a guerra nos atingiu com tanta força", declarou.
Os danos ao edifício são consideráveis. Todos os oito andares e dois andares do porão foram atingidos. "Vitrais, portas de vidro, painéis de vidro dentro do prédio e muitas portas de madeira foram quebradas", disse Sabra. O NEST nunca foi tão atingido como ontem, nem mesmo nos piores dias da guerra de 15 anos no Líbano.

Pastor quase morre

O pastor Dr. Habib Badr escapou de ser atingido por placas de gesso que poderiam tê-lo matado. Quando a explosão aconteceu, placas de gesso do prédio caiu sobre a mesa onde ele estava, mas felizmente o pastor não foi atingido.

"Ele teve uma sorte incrível, caso contrário, ele simplesmente seria esmagado", diz Uwe Grave, oficial de ligação do Oriente Médio da Missão Evangélica em Solidariedade.

Outro livramento, segundo Grave, foi ninguém ter sido ferido durante os preparativos de um casamento que estava acontecendo na igreja: “Ninguém da comunidade ficou ferido, embora os preparativos para o casamento estivessem em andamento nas salas da igreja no momento da explosão”, relatou.

Reconstruções

A Igreja Evangélica Nacional de Beirute começou a trabalhar para colocar as coisas em ordem em meio ao caos promovido pela tragédia.

“Hoje, membros do nosso grupo de jovens vieram e nos ajudaram a limpar os escritórios da igreja. Somos abençoados por ter jovens tão dedicados e doadores durante estes momentos difíceis. Oramos por aqueles afetados pelos eventos de terça-feira e pelos corajosos homens e mulheres que ajudam onde e com o que puderem”, escreveu a igreja.
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