Ex-traficante se torna pastor e treina jovens para “representar o reino de Deus”

 Vivendo em uma família desajustada, Herman Mendoza entrou para o mundo do crime aos 13 anos; preso, foi condenado à perpétua.

Pr. Herman Mendoza durante ministração na igreja. (Foto: Reprodução / Facebook)

Herman Mendoza cresceu no Queens, um bairro violento de Nova York, onde enfrentou a pressão dos colegas para experimentar drogas ainda jovem.

“Eu era viciado em cocaína, o que me levou a começar a vender pequenas quantidades de drogas”, diz Mendoza, autor de Shifting Shadows, lançado recentemente pela Bethany House.

O caminho de Mendoza para o mundo das drogas começou com a ausência de seus pais, que, pelo trabalho, proporcionava ‘muita liberdade’ para os filhos. “Tive muito tempo disponível para ter acesso a essas substâncias”, lembra.

O lar desestruturado e os pais ausentes causavam problemas. “Eu era um incômodo em casa e causando estragos lá”, diz Mendoza, que na época se juntou a alguns outros jovens valentões do bairro para roubar um rádio de carro. A ação criminosa o levou a uma prisão por roubo e o ingresso a um centro de detenção juvenil quando ele tinha 13 anos.

Ao se formar no ensino médio, o jovem se casou rapidamente, o que chateou seus pais que desejavam que ele fosse para a faculdade.

Após o nascimento de seu primeiro filho, Mendoza ficou desempregado, desesperado por trabalho.

Atraído ao tráfico

Seus dois irmãos mais velhos estavam envolvidos na venda de entorpecentes, trabalhando com um cartel colombiano. Eles tinham carros caros, roupas de grife e um estilo de vida luxuoso, mas Mendoza diz que não se sentia atraído por essas coisas tanto quanto pela necessidade urgente de encontrar trabalho para sustentar sua jovem família.

O irmão de Mendoza o convidou para visitar seu esconderijo. Quando ele entrou, foi atingido pelo som de um aparelho de TV no volume máximo para mascarar o som de máquinas contando US$ 1,2 milhão em dinheiro.

Os irmãos mais velhos pagaram ao caçula US$ 10.000 para operar as máquinas de contagem em seu primeiro turno de trabalho. “Naquele dia eu fui fisgado. Eu pensei, isso é dinheiro fácil”, conta Mendoza.

“Fiquei impressionado com toda a operação. Comecei a distribuir cocaína com ele, centenas de quilos de cocaína”, diz.

Flagrante

Um dia, ele e seu irmão estavam levando drogas para um cliente em Manhattan. “Estávamos sendo seguidos e descobriram que era a polícia. Os policiais nos pararam, começamos a correr e fomos detidos e mandados para a prisão”, lembra.

No dia seguinte, o New York Post e o Newsday trouxeram manchetes sobre sua prisão por posse de drogas, com US$ 3,8 milhões em cocaína apreendidos na traseira de seu veículo. Eles enfrentaram 25 anos de prisão.

“Defendi meu caso para 3-9 anos e meu irmão pegou 4-12”, relata.

Inicialmente, Mendoza foi para Rikers Island, a famosa prisão que abriga 14.000 presidiários, depois foi transferido para uma prisão no interior do estado de Nova York, onde se inscreveu em um programa chamado SHOCK. “É uma espécie de tática direta de medo, com ex-fuzileiros navais que entram na sua cara e tentam fazer com que você responda a um estilo de vida diferente.”

Sob pressão, ele começou a negociar com Deus: “Se você me ajudar a superar isso, não vou beber álcool por seis meses”.

Poucos meses depois, Mendoza foi solto e foi comemorar com um velho amigo, outro traficante que controlava uma tonelada de cocaína.

O homem ofereceu drogas a Mendoza e o convidou para o ´negócio´. Mendoza começou a lutar com sua consciência. “Meu coração dizia não e minha mente dizia que eu poderia ganhar todo aquele dinheiro”, conta.

Voltando ao erro

Mendoza voltou ao seu antigo estilo de vida, distribuindo centenas de quilos de cocaína. Sua esposa não queria saber de sua ocupação. “Nunca levei drogas para minha casa. Ela sabia no que eu estava envolvido, mas não queria saber nada específico. Ela estava aproveitando os frutos do meu trabalho, mas não queria que eu trouxesse nada para casa", diz.

Por fim, Mendoza e seu segundo irmão mais velho foram presos depois de serem incriminados por outro traficante que havia sido capturado e começou a cooperar com as autoridades.

Mendoza foi libertado após pagar fiança, mas seu irmão continuou preso por causa de outra violação envolvendo 87 kg de cocaína.

Vida transtornada

Depois de ser libertado, Mendoza ficou transtornado. “Recorri ao álcool, bebendo todos os dias para anestesiar a dor, a realidade de que estava enfrentando a vida na prisão. Decidi não comparecer ao meu julgamento”, relembra.

Sentindo falta de sua família, pediu ao motorista de sua limusine que o levasse para casa. No dia seguinte, o telefone tocou e eram as autoridades.

Mendoza se vestiu apressadamente para pular a janela. A polícia estava no local e o prendeu. No caminho de volta à prisão, Mendoza pediu aos policiais que abrissem a porta traseira de seu veículo para que ele pudesse pular e acabar com sua vida. “Minha vida não vale nada”, dizia.

“Você nunca sabe o que pode acontecer”, respondeu o oficial. “Seu caso é importante, mas você nunca sabe ...”

Prisão perpétua

Mendoza enfrentou prisão perpétua. Mas ele não tinha como saber que seu irmão mais velho, que permaneceu na prisão, havia entregado sua vida a Jesus durante seu encarceramento e começou a orar por ele.

"Senhor, mande meu irmão para a mesma casa onde estou morando para que eu possa compartilhar este Evangelho com ele, porque eles vão matá-lo na sociedade", orava o irmão de Mendoza.

O Senhor respondeu àquela oração e enviou o Mendoza para as mesmas instalações - até mesmo o mesmo bloco de celas - onde o irmão mais velho estava.

Quando se viram pela primeira vez, o irmão mais velho ficou tão emocionado que levantou as mãos para o alto e disse: "Louvado seja o Senhor, louvado seja Deus!"

Mendoza olhou para o irmão mais velho com curiosidade. “Irmão, estamos na prisão, do que você está falando?”, perguntou.

O irmão mais velho começou a compartilhar o Evangelho com Mendoza.

O desejo irresistível de Mendoza era sair da prisão. Mas seu advogado disse que ele não poderia fazer nada para libertá-lo. Um segundo advogado também frustrou qualquer esperança de que Mendoza pudesse conquistar sua liberdade.

“Aquele ponto foi o ponto de ruptura. Eu tentei de tudo. Minha esposa também me deixou naquele momento”, recorda-se.

Fundo do poço

Mendoza finalmente atingiu o fundo do poço e se voltou para Deus, porque não tinha mais a quem recorrer. “Senhor, se você é real, preencha este vazio. Estou vazio. Estou deprimido; eu preciso de paz”, clamou.

Seu irmão mais velho o convidou para frequentar uma capela administrada por presidiários. Quando Mendoza se aproximou do culto, ele orou baixinho: “Preencha este vazio, Deus ... eu preciso de paz”.

Mendoza sentou-se atrás. Estavam presentes 70 outros reclusos. “O pregador começou a falar sobre os mesmos pensamentos e sentimentos que eu estava tendo”, conta.

“Há um indivíduo aqui que está perseguindo coisas”, disse o pregador, “e essas coisas o conduziram por um caminho de destruição. O que ele realmente precisa é de Jesus, ele precisa de paz. Há uma paz que vai além de todo entendimento.”

Mendoza sabia que a mensagem era para ele. A convite do pregador, Mendoza foi à frente para receber orações.

“Eu disse para o pastor ‘sim, eu quero Jesus’”, e começou a chorar.

“A paz de Deus me envolveu. Um peso foi tirado de meus ombros. Senti convicção por todos os pecados e injustiças que fizera à minha família, minha esposa, minha mãe e meu pai, meus filhos. Disse com convicção, queria consertar”, conta.

Família restaurada

Mendoza imediatamente ligou para sua mãe para dizer que havia nascido de novo e queria falar com sua esposa. Durante sua estada no Metropolitan Detention Center no Brooklyn, ele soube que sua esposa queria visitá-lo. Mendoza jejuou e orou por três dias antes do encontro.

Quando ela chegou, disse: “Tenho más notícias”. Ela pretendia pedir o divórcio.

“Tenho boas notícias para vocês”, respondeu ele. "Você pode me conceder cinco minutos para compartilhar esta boa notícia com você?"

Ele pediu-lhe que perdoasse seus muitos erros e pecados contra ela, e sua esposa começou a chorar. Ela viu a paz recém-descoberta emanando de sua alma.

“Você tem esse brilho e essa paz dentro de você”, ela exclamou. "Eu quero o que você tem." Sua esposa começou a confessar seus pecados.

Felizmente, as más notícias sobre o divórcio nunca chegaram. Ao confessar seus pecados uns aos outros e orar uns pelos outros, Deus trouxe cura e restauração para eles.

“Isso é o que Deus fez; ele restaurou nosso casamento. Nós reconciliamos nossas diferenças. Ela confessou seus pecados e eu confessei meus pecados. Ela disse: ‘Eu quero Jesus’. Ela aceitou Jesus naquele mesmo momento.

A hora da sentença de Mendoza chegou. Mais de 100 presidiários escreveram ao juiz e pediram clemência.

O promotor disse: "Meritíssimo, ele cometeu um crime e fez todas essas coisas ruins. Mas eu ouvi que ele fez todas essas coisas incríveis ... "

Mendoza foi condenado a 48 meses, mas já cumpriu 39 meses.

Após sua libertação, Mendoza se tornou pastor e iniciou uma organização sem fins lucrativos para ajudar os jovens. “Quero treinar os jovens para que possam se tornar os líderes cristãos de amanhã, para que possam representar o reino de Deus”, diz ele.

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