Netflix tem onda de cancelamentos após lançar filme que erotiza garotas de 11 anos

 O filme francês 'Cuties' ('Lindinhas') tem gerado grande polêmica em razão de cenas com garotas de 11 anos sendo erotizadas.

O filme "Lindinhas" exibe garotas de 11 anos em cenas nas quais dançam com movimentos sugestivos e sensuais, sendo apontado como uma exemplo de "pedofilia legalizada". (Imagem: Netflix)

A Netflix experimentou um pico de cancelamentos que é cerca de oito vezes maior que a taxa normal, devido à indignação de seus assinantes com o polêmico filme francês “Cuties”, de acordo com um relatório de um grupo de análise de dados.

A Netflix recebeu críticas por sua decisão de lançar em sua plataforma de streaming o filme francês “Cuties” (“Lindinhas”, em português), que mostra meninas de 11 anos sendo sexualizadas, dançando provocativamente e que foi igualado à pornografia infantil e pedofilia.

A revista Variety relatou como a YipitData descobriu que, em 12 de setembro, a taxa de cancelamento da Netflix foi oito vezes maior do que os níveis diários médios registrados no mês passado.

Embora observe que o pico de cancelamentos foi "um pico de vários anos", a Variety alertou que isso pode ser um "problema de curto prazo" para um serviço que regularmente faz com que as pessoas cancelem e se inscrevam.

Em junho, a Netflix tinha aproximadamente 193 milhões de clientes pagos em todo o mundo, de acordo com a Variety, com quase 26 milhões de novos assinantes no primeiro semestre do ano.

Escrito e dirigido por Maïmouna Doucouré, o filme centra-se em uma garota senegalesa muçulmana de 11 anos que desafia sua família e se junta a um grupo de dança pré-adolescente do estilo twerk — ritmo que tem movimentos sensuais e simula sexo em rotinas de dança.

Recentemente, legisladores republicanos, incluindo o senador Ted Cruz do Texas, pediram ao Departamento de Justiça que investigasse a Netflix por supostamente distribuir pornografia infantil.

"Exorto o Departamento de Justiça a investigar a produção e distribuição deste filme para determinar se a Netflix, seus executivos ou os indivíduos envolvidos na filmagem e produção de 'Cuties' violaram quaisquer leis federais contra a produção e distribuição de pornografia infantil", escreveu Cruz em uma carta ao procurador-geral William Barr.

“E é provável que a filmagem deste filme tenha criado cenas ainda mais explícitas e abusivas, e que pedófilos em todo o mundo no futuro irão manipular e imitar este filme de formas abusivas", acrescentou

No Brasil, a ministra Damares Alves também afirmou que já mobilizou seus assessores jurídicos do governo para ver quais são os caminhos possíveis para proibir a exibição do filme no Brasil.

"Estou brava, Brasil! Estou muito brava! É abominável uma produção como a deste filme. Meninas em posições eróticas e com roupas de dançarinas adultas", escreveu Damares em sua página do Facebook.

Contexto

A Netflix primeiro atraiu a indignação popular internacional com o filme, após divulgar uma banner promocional do filme em suas páginas das redes sociais, que mostrava as garotas, incluindo a personagem principal, em roupas muito curtas e posando sugestivamente.

Após a polêmica, a Netflix eventualmente se desculpou pela arte e mudou sua publicidade promocional para o filme, mas não desistiu de lançar o longa em sua plataforma.

Com isso, muitas pessoas ainda pediram aos usuários da Netflix que cancelassem suas contas com o serviço de streaming.

Antes do lançamento do filme em 9 de setembro, uma petição pedindo que a Netflix cancelasse o lançamento de "Lindinhas" foi postada online e até a última quinta-feira, tinha mais de 715.000 assinaturas.

A hashtag do Twitter “#CancelNetflix” se tornou viral e foi promovida por figuras notáveis, incluindo a representante democrata Tulsi Gabbard do Havaí.

“A pornografia infantil de ‘Cuties’ [Netflix] irá certamente abrir o apetite dos pedófilos e ajudar a alimentar o comércio de tráfico sexual infantil. 1 em cada 4 vítimas de tráfico são crianças. Aconteceu com a filha de 13 anos do meu amigo. Netflix, agora você é cúmplice. #CancelNetflix”, tuitou Gabbard.

A psicóloga paranaense Marisa Lobo também fez duras críticas ao filme em um artigo publicado no Guiame. Ela explicou como o filme pode abrir o apetite sexual de pedófilos.

“A pedofilia não é um problema apenas pelo abuso sexual consumado. Ela também é pela produção de conteúdos que alimentam o fetiche do pedófilo. Antes de o abusador cometer seus crimes, tocando e violentando uma criança, ele primeiro se alimenta de conteúdos que estimulam as suas fantasias. É por isso que é comum encontrar material de pornografia infantil na posse desses criminosos”, disse.

“É possível abordar o problema da erotização precoce de crianças e adolescentes de várias formas. Não há, por exemplo, a menor necessidade de expor até mesmo as partes íntimas (mesmo cobertas) das meninas para ilustrar isso. Quando vi as cenas, não tive dúvidas de que o nível de detalhamento no foco das imagens contradiz a proposta do filme, estimulando aquilo que diz querer combater. Haveria uma intenção oculta por trás disso? Não descarto essa possibilidade”, acrescentou.

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