Cristãos são perseguidos no Iraque

 Além da reconstrução de casas e igrejas, cristãos locais precisam reconstruir as emoções após traumas gerados por conflitos

Atividade em grupo durante um dia de estudo do curso de treinamento pós-trauma

Décadas de guerra e conflito deixaram os cristãos iraquianos com cicatrizes profundas. Por esse motivo, o professor Juwaid* se reúne com líderes religiosos, profissionais da saúde e assistentes sociais a fim de compartilharem o que enfrentam no trabalho diário com os traumatizados. A variedade de contextos e experiências torna a conversa rica.

Juwaid, um psicólogo que fugiu da Síria, está feliz com o entusiasmo dos participantes. “É importante desenvolver a saúde mental e serviços de apoio psicossocial nesse país destruído pela guerra. Há muita necessidade, mas são poucos os profissionais. É por isso que devemos treinar líderes para ajudar a completar os espaços”, disse.

Durante a palestra, Juwaid fala sobre como sobreviventes do conflito possuem alto risco de estresse psicológico e condições que afetam a saúde mental. Muitos cristãos iraquianos testemunharam violência e crimes durante a fuga e vivem com grande incerteza sob condições de pobreza nos campos. Eles também enfrentaram a perda de pessoas e bens materiais. Todas essas condições podem causar traumas.

Mais que uma dor física
Embora haja muito trauma entre os iraquianos, há pouca conscientização. Miray, de 27 anos, é uma das participantes que trabalha no hospital de Qaraqosh como assistente de médico. “Eu vejo muitas pessoas sofrendo de problemas psicológicos e emocionais em vez de doenças físicas. Muitos de nossos pacientes não reconhecem o próprio problema psicossocial, mas percebem uma dor no corpo e vêm por causa dos remédios.”

“O que esses pacientes realmente precisam é de terapia, mas terapeutas são escassos no Iraque”, explica Miray, que também é deslocada de Mossul. Por isso, ela começou um programa de ensino de seis meses. Isso inclui quatro semanas de lições, supervisão do trabalho e sessões de consulta para universitários e seus colegas. Ela não é terapeuta, mas pelo menos pode prover cuidados básico para amigos e familiares.

Mesmo não estando no final do curso, Miray já pode ver os frutos: “Muitas pessoas pedem conselhos e que as ouça. Elas gradualmente confiam em mim e me falam sobre as dificuldades e do estresse que enfrentam. Por causa do curso, sei o que estou fazendo. Eu tento me ater às diretrizes que aprendi para ajudar essas pessoas efetivamente”. 

Quer conhecer mais a realidade de deslocados no Iraque? Assista ao vídeo abaixo e conheça a história de Dalia.

“Ao lidar com as histórias dos outros, é importante não esquecer de si mesmo. Nós enfatizamos o autocuidado para construir a resiliência dos participantes e sua capacidade de lidar com estresse no trabalho. Isso os ajudará em seu próprio bem-estar e os exercícios os permitem experimentar o que pode ser útil para aqueles a quem servem”, disse Juwaid.

Para a participante Alice, de 45 anos, os exercícios de autocuidado são a parte mais importante do curso. Ela é deslocada de Mossul e trabalha em um centro de necessidades especiais, enquanto toma conta de três irmãos deficientes. Infelizmente, o quarto irmão faleceu recentemente. “É um tempo muito difícil para mim e meus irmãos, mas os exercícios de autocuidado ajudam a mim e meus irmãos a lidar com o estresse”, contou.

“Eu vejo esse curso como um presente de Deus. Eu não esperava um dia poder ajudar pessoas com esse tipo de problema, mas com esse curso me sinto confiante para fazê-lo”, disse Miray. Esse projeto é a união de esforços entre nossos parceiros e uma organização local.

*Nome alterado por segurança.

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