“Nunca vi um cadáver, mas precisei carregar vários no Malawi”, diz missionária

 Melanie e seu marido Tim vivem há 10 anos no Malawi, onde enfrentaram as situações mais difíceis como missionários.

Melanie ao lado das crianças do Malawi, onde vive há 10 anos. (Foto: Reprodução / Eternity)

“Vivemos no Malawi há dez anos. Meu marido, Tim, e eu estamos envolvidos em compartilhar as boas novas para um grupo de pessoas não alcançadas, em uma comunidade islâmica popular”, conta a missionária Melanie.

Ela diz que mesmo com chamado que receberam de Deus, a nova vida naquele país da África “foi um ajuste enorme”.

“Quando chegamos aqui, eu estava completamente louca. Tudo parecia ter saído de um ‘anúncio da Visão Mundial’: as cabanas nos vilarejos, mercados, estradas cheias de gente, mulheres carregando pacotes nas cabeças. E agora eu estava vivendo entre essas pessoas, não apenas enviando dinheiro de um lugar distante”, diz.

“Lembro-me da primeira vez que recebemos uma chamada de emergência, minha adrenalina atingiu o pico. Um amigo estava morrendo e precisamos levá-lo ao hospital. Nós corremos. Nosso carro se tornou uma ambulância. E o colocamos em segurança”, conta.

Melanie diz que a experiência foi tão alucinante que “demorou cerca de uma dúzia de viagens para a adrenalina diminuir”. Mas as aventuras não pararam por aí. Vieram outras situações difíceis, outras mortes desnecessárias e outras situações que envolviam riscos de vida.

“Antes de vir para o Malawi, nunca tinha visto um cadáver e agora os carregava no meu carro”, conta.

Ela diz que não eram rostos sem nome, mas seus amigos. “Eram histórias das quais eu fazia parte: morte por HIV / Aids, malária que não foi tratada a tempo, desnutrição, morte no parto, morte por hemorragia séptica que não foi tratada, morte de uma criança que caiu de uma mangueira...”, relata.

“Eu estava sobrecarregada, tudo parecia fora do meu alcance, mas eu era sempre chamada para o resgate”, lembra Melanie.

“Eu lutava. Eu sempre chorava. Havia um funeral uma vez por semana para alguém que conhecíamos. Tornou-se parte da nossa rotina, mas não o tornou ‘normal’”, diz a missionária.

Luta em meio ao sofrimento

“Para entender o sofrimento, recorri à história, a tudo que aprendi sobre campos de concentração, a [época da] depressão, o Holocausto, histórias de abandono e mortes desnecessárias”, diz.

“Eu orei. Eu sabia que sem Deus me pegando, limpando a poeira e me dando coragem, eu nunca conseguiria. Eu me lembrei de suas promessas. Só com a força dele eu poderia continuar [naquele propósito]”, diz.

“Então foi a minha vez de ser levada para o hospital. Um dia, Tim me encontrou inconsciente no chão do banheiro, em convulsão. Ele me levou para o hospital, desesperado para encontrar ajuda, mas não havia nenhuma. Não havia medicação para minha suspeita de malária cerebral”, conta.

O marido de Melanie precisou ir atrás de ajuda capaz de salvar a vida de sua esposa. “Ele me deixou com nosso companheiro de equipe e foi para outra clínica, tentando encontrar medicamentos. Ele teve que dirigir nossa minivan por um leito de riacho desbotado. Ele teve que subornar o guarda noturno para entrar no depósito de medicamentos. Ele teve que pagar a equipe médica para encontrar o medicamento certo. Foram tantas as perguntas, algumas delas éticas. Até onde ele iria para salvar minha vida?”, contou.

“Levei seis semanas antes que pudesse rastejar da nossa cama para o banheiro. Levei meses antes de me sentir como antes, mas será que algum dia me sentiria normal?”, questionava-se.

“Concluí que normal foi o que Deus primeiro nos prometeu quando colocou Adão e Eva no Jardim do Éden. A bagunça que fizemos aqui na terra, os horrores que vemos ao nosso redor não são o plano ‘normal’ de Deus para nós. Para mim, tenho que acreditar que meu verdadeiro lar é no céu. Não está aqui. Eu tenho que aceitar minha vulnerabilidade. Eu tenho que trabalhar com esse quebrantamento. Eu tenho que acreditar na força de Deus e confiar que ele ainda não terminou comigo. Ele ainda tem trabalho para fazermos... ”, diz Melanie.

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