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Analfabetismo bíblico é o maior problema da igreja, diz líder da Aliança Evangélica Mundial

 Thomas Schirrmacher, da Aliança Evangélica Mundial, diz que muitos filhos de famílias evangélicas já não estão mais enraizados na Bíblia.

Thomas Schirrmacher fala no “Mission Freedom”, um evento sobre tráfico humano em Frankfurt, na Alemanha. (Foto: Martin Warnecke)

A maior crise que a igreja evangélica global enfrenta hoje é a crescente falta de conhecimento da Bíblia, de acordo com Thomas Schirrmacher, o novo secretário-geral da Aliança Evangélica Mundial.

“Nosso maior problema é que o conhecimento da Bíblia está desaparecendo”, disse Schirrmacher ao The Christian Post. “Este é o maior problema que temos, além de todas as diferenças teológicas, problemas financeiros e questões políticas”.

Schirrmacher, que estudou teologia na Suíça e nos Estados Unidos e atua como secretário-geral associado para Assuntos Teológicos da Aliança Evangélica Mundial, disse que cada vez mais crianças que vêm de famílias evangélicas “não estão enraizadas na Bíblia”, e muitos abandonam a fé quando crescem.

Já o número de jovens que abandonam a fé é “neutralizado” por aqueles que se tornam cristãos na juventude, de acordo com Schirrmacher. No entanto, esses jovens cristãos também carecem de conhecimento bíblico e “só sabem sobre a Bíblia o que aprenderam com sua conversão”, disse ele. 

“Há tantas pessoas se tornando crentes que aquele que é crente há mais tempo vira o líder da igreja”, disse Schirrmacher. “Isso pode levar três anos. Isso é um tempo curto para nós, mas longo para eles. Temos uma taxa de conversão tão alta em todo o mundo, que é extremamente difícil acompanhar com discipulado, com ensino, com conhecimento da Bíblia. O resultado é que as pessoas sabem muito menos e estão muito mais abertas ao secularismo e coisas estranhas como a teologia da ‘saúde e prosperidade’”.

De acordo com dados publicados pelo Barna Group e Sociedade Bíblica Americana, o número de adultos que dizem ler a Bíblia diariamente caiu de 14% para 9% entre o início de 2019 e 2020. Este é o número mais baixo registrado durante os 10 anos de estudo de Pesquisa Bíblica.

A Aliança Evangélica Mundial pretende trabalhar para equipar a liderança ao redor do mundo. “Se os evangélicos não conhecem mais a Bíblia, não faz sentido que sejamos um movimento bíblico”, explica. “Não temos papa, não temos estrutura que nos mantenha juntos, não importa em que acreditemos. Precisamos sentar e estudar a Bíblia, conhecer as Escrituras e estar devidamente equipados para o ministério”.

Apelo por unidade

Em uma sociedade cada vez mais polarizada, Schirrmacher também enfatizou a importância da unidade das igrejas. Ele acredita que as divisões dentro do cristianismo são o “maior obstáculo” para a propagação do Evangelho.

“Precisamos ansiar pelo que é o DNA, não só do protestantismo, mas do cristianismo — a Bíblia, Jesus e o Evangelho”, disse Schirrmacher. “Precisamos trabalhar juntos para não lutarmos uns contra os outros ao pregar o Evangelho”.

“Nosso objetivo deve ser que todo o cristianismo aceite o mesmo DNA”, disse ele. “O desaparecimento de milhares de teologias diferentes que nos separam fará sentido se nos sentarmos e encontrarmos o DNA comum. O perigo é que não podemos permitir que esses ensinamentos centrais do cristianismo desapareçam junto com tópicos menores”.

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