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“Coisas ruins acontecem e Deus sempre tira algo bom delas”, diz Tim Keller sobre câncer

O pastor fez uma reflexão sobre a ressurreição e chegou à conclusão de que muitos cristãos vivem em negação da morte.

O pastor de 70 anos fundou a Igreja Presbiteriana Redeemer, em Nova York. (Foto: Redeemer City to City)

“Vivo sabendo que o tempo é curto”, refletiu o pastor Tim Keller ao ser entrevistado pela Relevant Magazine em seu apartamento na cidade de Nova York. “Isso é realmente bom espiritualmente”.

Em junho de 2020, ele foi diagnosticado com câncer de pâncreas em estágio quatro — cerca de 80 a 85% das pessoas que recebem esse diagnóstico morrem em um ano. Mas seu tratamento está indo bem. Tão bem que, segundo ele, “a ideia de morrer em meses acabou. Está mais para anos”.

“Mas estamos falando de um ano e meio ou estamos falando de cinco anos e meio?”, ele questiona, encolhendo os ombros. “Não sabemos”.

Em 2017, Keller deixou a Igreja Presbiteriana Redeemer de Manhattan, a qual ele liderou por 28 anos. Ele havia feito a transição para lecionar no Seminário Teológico Reformado e passando mais tempo escrevendo livros. 

No final de 2019, ele começou a escrever um livro sobre a ressurreição intitulado “Hope in Times of Fear” (“Esperança em Tempos de Medo”, em tradução livre). Isso foi apenas alguns meses antes de surgir uma pandemia global e do diagnóstico que reforçou nele uma esperança ainda maior pela promessa bíblica.

É fácil se acostumar com a ideia da ressurreição, mas Keller quer levar as pessoas a um entendimento mais profundo. “Me parece uma das coisas que deveria fazer no último período da minha vida”, diz ele. “Conversar com várias comunidades cristãs, dando a elas as percepções que tenho”.

Em negação da morte

Keller acredita que o motivo pelo qual lutamos para compreender a ressurreição é nossa fuga da morte. Para explicar, ele cita um pensamento das Institutas de João Calvino: “Quando vemos um cadáver ou vamos a um funeral, filosofamos sobre a brevidade da vida, mas em um nível mais profundo, estamos em total negação disso”.

“Basicamente, todos nós funcionamos como se fossemos viver para sempre. Estamos em uma negação profunda sobre [a morte]”, diz Keller. “E a única maneira de saber isso é quando você finalmente recebe um diagnóstico de que pode morrer em meses ou semanas e, de repente, perceber: ‘Eu realmente não acreditava que ia morrer’”.

Esperança bíblica

O câncer deu a Keller um novo ponto de vista, inclusive, sobre o conceito bíblico de esperança — uma palavra que ele acredita que muitos cristãos interpretam mal. Muitos, segundo ele, confundem “esperança” com “pensamento posivito”.

O conceito superficial de esperança não passa de “uma incerteza otimista”, ele avalia. “Se você procurar dez versículos na Bíblia, quaisquer 10 versículos, verá que a palavra ‘esperança’ realmente significa ‘segurança’, significa ‘confiança apropriada’”. 

“Ou outra maneira de colocar isso é a confiança e segurança adequadas em algo que não pode ser provado”, ele continua. Keller acredita que a evidência física e histórica para o relato bíblico de Jesus é convincente e o livro entra em alguns dos argumentos para a ressurreição corporal de Jesus. 

Mas Keller diz que a esperança não depende inteiramente de argumentos racionais; também é “um dom espiritual” que gera raízes mais profundas do que a “incerteza otimista”. “É como a fé, algo que Deus pode desencadear em seu coração por meio de Seu Espírito Santo”, explica.

“Minha esperança na ressurreição é a confiança de que isso realmente vai acontecer”, diz ele.

“A visão cristã é que depois da morte vem a ressurreição. A visão cristã é que, a longo prazo, haverá uma ressurreição, novos céus e nova terra — mas o caminho a seguir é a morte e a ressurreição”, acrescenta Keller. “Coisas ruins acontecem e Deus tira algo bom delas, até o fim”. 

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