Casal cristão é indenizado após ter adoção rejeitada devido suas crenças

“Temos visões cristãs tradicionais acerca do que a Bíblia nos ensina sobre sexualidade e casamento. Nós afirmamos isso desde o início”, disse o pai.

Byron e Keira Hordyk. (Foto: Reprodução/Human Rights Law Alliance)

Por seguir os preceitos bíblicos e acreditar que a homossexualidade é pecado, um casal australiano teve uma adoção injustamente negada. O casal que frequenta uma das Igrejas Reformadas Livres — teologicamente conservadoras — já possui três filhos e havia planejado adotar uma criança de 5 anos.

Em 2017, Keira e Byron Hordyk fizeram suas inscrições no Wanslea Family Services — uma agência estatal de adoção sem fins lucrativos. O pedido de adoção do casal foi rejeitado com a alegação de que “as crenças religiosas sobre sexualidade dos Hordyks os tornavam inseguros para cuidar da criança”. 

Uma batalha judicial teve início, desde então, e os advogados do casal explicaram que “as agências de adoção consideram a cultura e a religião da família anfitriã ao determinar se uma criança adotiva em particular é compatível ou não”. 

Casal é indenizado pela injustiça

Depois de cinco anos, o Tribunal Administrativo do Estado ordenou que Wanslea Family Services pagasse ao casal que vive na cidade australiana de Perth, uma indenização de 6 mil dólares, de acordo com o Australian Broadcasting Corporation.

A justiça concordou que foi injusto negar a eles a oportunidade de criar filhos por acreditarem que a homossexualiade é um pecado. 

Conforme a Human Rights Law Alliance — organização que atua na defesa dos direitos humanos e que representou o casal legalmente neste caso —  durante o processo de avaliação formal, os Hordyks se reuniram com dois assistentes sociais que examinaram as competências para adoção. 

“Os pais responderam a várias perguntas hipotéticas sobre paternidade, incluindo perguntas sobre como eles responderiam a um filho adotivo LGBT”, disseram os advogados. 

Resposta dos pais

Questionados sobre a possibilidade de estar diante de um filho gay, Keira e Byron explicaram aos assistentes sociais que, para eles, as identidades LGBTQ são erradas e que há necessidade de se lutar contra esse pecado. 

Mas, o casal se mostrou amoroso: “Vamos oferecer nossa ajuda e faremos o que for possível por essa criança”, disseram ao esclarecer que se a criança continuar sendo gay, então a adoção não funcionará, pois isso vai contra suas crenças. 

A equipe jurídica que defendeu o casal também admitiu que colocar uma criança LGBT em sua casa não seria a melhor opção.

Os Hordyks, porém, foram apontados como incapazes de fornecer um lar seguro para uma criança: “Sentimos que fomos discriminados e achamos que não deveríamos ficar calados sobre isso, pois o posicionamento da agência de adoção poderia prejudicar ou limitar qualquer pessoa com os mesmos valores cristãos que os nossos”. 

‘Só existem dois sexos definidos: homem e mulher’

O pastor Wesley Bredenhof, que acompanhou o caso, confirmou que a Igreja Reformada Livre, na Austrália, vê o casamento como um “relacionamento vitalício entre um homem e uma mulher” e que “toda sexualidade extraconjugal é contrária à Bíblia”.

“Existem dois gêneros ou sexos fixos, ou seja, masculino e feminino”, reforçou o pastor. 

Byron chegou a testemunhar no tribunal que ter os “princípios fundamentais de sua vida” rejeitados o fez se sentir desanimado.

Parece injusto para mim ter que jogar fora minhas crenças sobre essas questões apenas para que eu possa ser aceitável para Wanslea [a agência estatal de adoção]. Minhas convicções religiosas ocupam o centro de todos os aspectos da minha vida”, disse ainda durante as audiências, segundo o The Daily Mail .

Keira Hordyk disse que se sentiu “destruída e devastada” porque suas crenças foram rotuladas como “perigosas”. 

“Temos visões cristãs tradicionais acerca do que a Bíblia nos ensina sobre sexualidade e casamento. Nós afirmamos isso desde o início”, disse Byron.

“Todo mundo que tem uma opinião polêmica, tem medo de ser colocado no domínio da opinião pública sob uma luz negativa. Mas minhas crenças são fortes o suficiente, e essa é a cruz que eu vou carregar”, ele concluiu. 

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