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Os pais pedem ajuda em oração pelo retorno dos filhos
No último fim de semana, cristãos de diferentes vilarejos se reuniram para celebrar e agradecer a Deus pelo jubileu de prata de uma igreja em Komanda, República Democrática do Congo. Alguns vieram de cidades próximas como Bunia, Mungamba e Makayanga para a comemoração, que começou no sábado, 26 de julho, e terminaria com uma grande celebração no domingo, 27 de julho.
Em vez disso, o evento se transformou em um banho de sangue, enterros e luto quando as Forças Democráticas Aliadas (ADF, da sigla em inglês) atacaram. Nas primeiras horas da manhã de domingo, a igreja estava reunida em uma vigília de oração. Por volta da 1h da manhã, enquanto oravam, o ataque aconteceu. Após o massacre, 20 crianças cristãs foram levadas pelos militantes.
“Eles mataram alguns cristãos que estavam no salão da igreja. Aqueles que tentaram fugir foram pegos na porta e massacrados no pátio. Outros que conseguiram chegar à estrada também foram capturados e mortos”, disse um parceiro local da Portas Abertas que visitou a comunidade na segunda-feira após o ataque.
Pedaços de roupas, sapatos, chinelos e bolsas podiam ser vistos espalhados pelo chão, enquanto cristãos em pânico tentavam fugir. Antes de seguir para o centro de Komanda, os militantes das ADF mataram quatro cristãos em Machongani e incendiaram uma casa. Parceiros locais relataram que, ao todo, 49 cristãos, homens e mulheres, foram mortos durante os ataques de sábado e domingo na República Democrática do Congo.
Sequestro de 20 crianças
Em Komanda, as ADF também fizeram pelo menos 20 crianças reféns. Antes de recuar, saquearam comércios e incendiaram lojas, casas e carros. “Houve danos humanos, especialmente perda de vidas. As casas queimadas aqui e ali pertenciam a algumas pessoas que estavam em terras da nossa igreja. Enterramos 37 cristãos assassinados pelas ADF. Acredito que houve mortes em outros lugares”, disse Aimé Lokana, líder da igreja atacada.
Os corpos foram sepultados na segunda-feira, 28 de julho, em uma vala comum cavada com ajuda de pacificadores da ONU. “Parentes de algumas vítimas que vieram de diferentes vilarejos para o jubileu decidiram levar os corpos de volta para suas aldeias para o sepultamento”, explicou nosso parceiro local que esteve presente no enterro coletivo.
A cerimônia de sepultamento foi marcada por lágrimas, lamentos e tristeza. Nossos parceiros locais compartilharam que alguns choravam pela perda de entes queridos, enquanto outros lamentavam pelas crianças sequestradas durante o enterro coletivo.
“Foi tristeza sobre tristeza. Segurei a mão de uma mulher cujo filho foi sequestrado. Disse a ela para não desesperar, para continuar confiando em Deus, porque ele é o Deus que torna o impossível possível. Disse que ela não estava sozinha e que estamos orando por ela e por seu filho”, relata um parceiro local.
Por muito tempo, Komanda foi um centro de acolhimento para pessoas fugindo dos ataques das ADF. Infelizmente, Jakcson, que já havia perdido tudo em outro ataque, não foi poupado dessa vez e, mais uma vez, perdeu sua fonte de sustento. “Se Deus realmente nos ouve, por que permite que as ADF continuem nos fazendo sofrer? Esta é a segunda vez que eles queimam minha loja”, disse ele.
Mas, como muitos nesta parte conturbada do país que perderam a fé nas ações do governo e das forças de segurança, Jackson acredita que apenas Deus pode ajudá-los. “Por favor, Senhor, venha em nosso auxílio. Estamos no limite”, clamou. Apesar desse ataque devastador, a igreja em Komanda permanece fiel e resiliente. Após o enterro coletivo, ela organizou um encontro de oração de nove dias para clamar a Deus pela República Democrática do Congo.
“Diante da situação que nos acometeu, pedimos a todos os cristãos ao redor do mundo que orem por nós neste momento crítico”, disse o líder cristão Lokana. “Vamos nos ajudar mais com oração para que as crianças voltem para casa, para que possamos vê-las novamente”, acrescenta Kavugho Malasi, cuja filha Christine, de 12 anos, foi sequestrada em Komanda.