Jihadistas deixam mortos e casas incendiadas no Níger

 Autoridades nigerinas não conseguem conter a violência jihadista

A insurgência jihadista tem avançado na fronteira entre Níger, Burkina Faso e Mali (foto representativa)

Homens armados em motocicletas mataram 22 pessoas, a maioria delas participando de uma cerimônia de nomeação de bebês, em um ataque no Oeste do Níger, segundo a BBC. Um morador disse à agência francesa AFP que 15 pessoas foram mortas durante a cerimônia na região de Tillabéri, que faz fronteira com Mali e Burkina Faso, antes de os agressores se deslocarem para outro local e matarem mais sete pessoas. 

“Enquanto as pessoas estavam na cerimônia, homens armados abriram fogo, semeando morte e terror”, disse o ativista local de direitos civis Maikoul Zodi nas redes sociais. O governo militar do Níger tem enfrentado dificuldades para conter a violência jihadista na região, perpetrada por grupos ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. 

Região com mais ‘mortes por terrorismo’ do mundo  

Na semana passada, Human Rights Watch afirmou que grupos jihadistas aumentaram os ataques no Níger desde março, matando mais de 127 pessoas. Dezenas de casas foram saqueadas e incendiadas no mesmo período e a região se tornou a com maior registro de mortes por terrorismo no mundo, segundo a organização. 

Foi denunciado também que as autoridades não responderam adequadamente aos alertas de ataques e ignoraram os pedidos de ajuda dos moradores. O Níger está sob controle militar desde 2023, quando o general Abdourahmane Tchiani depôs o presidente eleito Mohamed Bazoum. Burkina Faso e Mali, que enfrentam a mesma insurgência jihadista, também são governados por líderes militares e têm enfrentado dificuldades semelhantes para conter o problema. 

“Grupos armados islamistas estão atacando a população civil no Oeste do Níger e cometendo abusos horríveis”, disse Ilaria Allegrozzi, pesquisadora sênior da Human Rights Watch para o Sahel.  

“Eu estava me preparando para a oração da manhã quando ouvi os tiros. Um após o outro, eles se aproximavam cada vez mais. Apenas corri com minha família em direção ao mato… Os disparos duraram até cerca das 8h. Do nosso esconderijo, vimos chamas saindo do povoado e soubemos que toda nossa propriedade havia sido destruída”, relatou um pastor local. 

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