O ataque é o mais recente sequestro em massa em meio à série contínua de ataques com motivação religiosa no país.
Comunidade cristã que sofreu ataque do Boko Haram, na Nigéria. (Foto ilustrativa: Portas Abertas)
Mais de 150 cristãos foram sequestrados por homens armados durante ataques simultâneos a três igrejas no noroeste da Nigéria, informou nesta segunda-feira (19) um parlamentar estadual à Associated Press.
O ataque ocorreu no domingo, na comunidade de Kurmin Wali, na região de Kajuru, enquanto aconteciam cultos na Igreja Evangélica Vencedora de Todos (ECWA) e na denominação Querubins e Serafins.
Uma igreja católica também foi alvo da ação, segundo informou Usman Danlami Stingo, deputado estadual que representa a região.
Embora a polícia do estado de Kaduna tenha divulgado números preliminares mais conservadores, indicando que dezenas de pessoas permanecem em cativeiro, o reverendo John Hayab afirmou que o total de sequestrados pode ultrapassar 160 pessoas.
“Até ontem, 177 pessoas estavam desaparecidas, e 11 retornaram. Então ainda temos 168 desaparecidas”, disse ele.
A polícia do estado de Kaduna não se pronunciou sobre o caso.
Nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques.
Ataques frequentes
Esses tipos de ataques são frequentes na Nigéria, o país mais populoso da África, onde gangues e milícias religiosas costumam atacar comunidades remotas, marcadas por pouca segurança e presença limitada do governo.
Grupos armados da etnia fulani, de maioria muçulmana, atuam principalmente nas regiões norte e central do país, promovendo violência contra comunidades cristãs e realizando sequestros para exigir resgates.
A região norte da Nigéria é a mais afetada por esse tipo de violência.
O incidente de domingo é o mais recente sequestro em massa em meio à série contínua de ataques com motivação religiosa no país.
Agressões semelhantes contra igrejas já levaram o então presidente dos EUA, Donald Trump, e alguns legisladores americanos a alegarem perseguição a cristãos.
Em 25 de dezembro, o governo norte-americano realizou ataques militares em Sokoto, supostamente visando um grupo ligado ao Estado Islâmico na área.
O governo da Nigéria rejeitou a descrição das crescentes crises de segurança no país como um “genocídio cristão”.
