Mariano Velásquez Martínez foi detido, multado e expulso com a família após se recusar a se ajoelhar e rezar diante de uma imagem católica.
O pastor Mariano Velásquez Martínez. (Foto: Reprodução/Facebook/El Universal Oaxaca)
Um pastor foi preso por mais de 48 horas, multado e expulso de sua comunidade após se recusar a se ajoelhar diante de uma imagem durante uma festa católica no México.
Mariano Velásquez Martínez — no ministério desde 2015 — foi preso após se recusar a se ajoelhar e rezar diante de uma imagem em Santiago Malacatepec, cidade do município de San Juan Mazatlán Mixe, no estado de Oaxaca.
Segundo o Evangélico Digital, antes da prisão, o pastor já havia sido obrigado a aceitar o cargo de responsável pela celebração da Festa de São Tiago Apóstolo.
Apesar de concordar em pagar a multa, mesmo sem recursos suficientes, o pastor teve a proposta rejeitada pela assembleia geral, que exigia o cumprimento completo do protocolo religioso. Então, ele foi preso no último sábado (17).
“Sua prisão ocorreu depois que ele se recusou a se ajoelhar e rezar diante da imagem religiosa, citando suas convicções cristãs”, disse o advogado do pastor Porfirio Flores Zúñiga à imprensa.
O pastor foi banido juntamente com sua família
Após quatro dias detido, Mariano foi levado à assembleia comunitária, na presença das autoridades municipais, com as mãos atadas. Na ocasião, foi informado de que seria expulso da cidade com sua esposa e a filha de três meses, por se recusar a cumprir as tradições católicas da comunidade.
A libertação do pastor ocorreu sob pressão, irregularidades e atos de assédio que resultaram na saída forçada dele e de sua família da comunidade.
Mariano contou que foi forçado a assinar um documento em branco, que poderia ser usado para simular que ele deixou a comunidade por vontade própria, quando, na verdade, foi expulso à força.
"Portanto, trata-se, na realidade, de uma expulsão forçada, que agora é classificada como crime grave", afirmou o advogado.
‘Grave episódio de intolerância religiosa’
O advogado destacou que o caso representa um grave episódio de intolerância religiosa em um novo contexto legal no estado de Oaxaca.
Segundo ele, em setembro de 2025 o Congresso estadual aprovou a Lei para Prevenir, Abordar e Reparar Integralmente o Deslocamento Forçado Interno, que reconhece conflitos ligados à liberdade religiosa como causa de deslocamento forçado — crime que pode resultar em penas de até 18 anos de prisão.
Conforme o portal mexicano El Universal Oaxaca, Flores exigiu que a Procuradoria-Geral de Justiça de Oaxaca e a Secretaria de Governo apliquem imediatamente essa lei para responsabilizar as autoridades municipais envolvidas na expulsão e no deslocamento forçado do pastor.
“Os responsáveis pelo deslocamento da família Velásquez Martínez podem enfrentar penas de prisão de 10 a 18 anos, além de multas de até dois mil dias de UMA”, explicou ele.
Segundo o advogado, o caso é ainda mais grave porque a lei prevê aumento de pena quando o crime é cometido por autoridades locais ou funcionários públicos, especialmente em situações marcadas por violência e assédio contra a família.
‘A atuação do Estado é insuficiente’
Flores também lembrou que o município de San Juan Mazatlán Mixe possui um histórico de intolerância religiosa. Em 2023, seis famílias foram expulsas da comunidade de San Pedro Chimaltepec por motivos semelhantes.
“No entanto, com a nova legislação em vigor, as autoridades estaduais têm a obrigação de tomar medidas legais contra os responsáveis em Santiago Malacatepec”, observou.
Além da responsabilização criminal, o advogado pediu medidas de proteção e reparação integral para o pastor e sua família, incluindo garantias de segurança fora da comunidade e a intervenção das autoridades no município de San Juan Mazatlán para interromper a perseguição religiosa sistemática.
Porfirio Flores também cobrou que autoridades estaduais e federais assegurem os direitos humanos e a liberdade religiosa dos moradores da região.
“A liberdade de culto não é uma concessão das autoridades comunitárias, mas um direito humano inalienável que o Estado deve proteger”, declarou o advogado.
Apesar das denúncias apresentadas e do pedido de medidas cautelares à Procuradoria de Oaxaca, Flores informou que, até o momento, não houve resposta efetiva das autoridades, classificando a atuação do Estado mexicano como insuficiente diante dos casos de intolerância religiosa ocorridos no estado.
