Mais de 50 mortos e 31.600 deslocados após ataques da ADF em áreas de extração de ouro na República Democrática do Congo

Violência extrema esvazia igrejas na República Democrática do Congo


Estruturas queimadas e escombros deixados após ataques das ADF na África

O grupo extremista Forças Democráticas Aliadas (ADF) continua a espalhar destruição no Leste da República Democrática do Congo (RDC). No ataque mais recente, na segunda quinzena de março de 2026, cerca de 50 civis foram mortos e mais de 31.600 pessoas foram deslocadas pela violência contínua. 

Entenda como cristãos são perseguidos na República Democrática do Congo, o 29º país da Lista Mundial da Perseguição 2026

Membros das ADF atacaram vilarejos em Muchacha e Babesua, na província de Ituri. A coordenação da sociedade civil de Ituri confirmou que 35 pessoas foram mortas em Muchacha e 15 em Babesua, números superiores às estimativas divulgadas anteriormente. 

Vilarejos vazios, igrejas fechadas e estruturas destruídas 

Em Muchacha, igrejas permanecem vazias após o ataque; em Babesua, combatentes fecharam igrejas, escolas e centros de saúde. Ambos os vilarejos ficam dentro da Reserva Natural de Okapi, área reconhecida internacionalmente por suas minas de ouro e proximidade com a fronteira de Uganda. 

O ataque a Muchacha ocorreu durante a noite de 11 para 12 de março de 2026, com relatos de assassinatos, saques em larga escala e sequestros. 

ADF e Estado Islâmico unidos em ataques na RDC 

Dieudonné Lossa, coordenador da sociedade civil de Ituri, afirmou em 15 de março de 2026 que houve um êxodo massivo da população, com vídeos mostrando as ADF reivindicando responsabilidade pelos ataques. 

O governo da RDC condenou a ação em comunicado oficial divulgado no mesmo dia, confirmando que o ataque foi reivindicado pelo Estado Islâmico. As ADF são oficialmente afiliadas ao Estado Islâmico desde 2019, recebendo financiamento, treinamento ideológico e apoio propagandístico. 

Pastor relata incêndios criminosos e sequestros 

Em 16 de março, as ADF atacaram novamente, dessa vez o vilarejo de Babesua, localizado a 12 km de Badengaido. Dez pessoas foram mortas, casas e veículos foram incendiados e bens foram saqueados. Igrejas, escolas e centros de saúde permaneceram fechados. 

Os ataques ocorrem poucas semanas após um fórum provincial realizado em Beni, que reuniu governo, militares e líderes religiosos no final de fevereiro de 2026 para discutir a insegurança causada pelas ADF. 

O reverendo Kitika, de uma das igrejas batistas da região, relatou que não houve atividade nas igrejas no domingo, 15 de março. Segundo ele, alguns moradores fugiram para Nia-Nia, enquanto outros seguiram para Bafwasende. 

Filho de pastor é sequestrado e forçado a lavar areia por três dias 

No ataque a Muchacha, dois membros de uma igreja foram mortos. O reverendo Kitika também descreveu incêndios criminosos em casas, caminhões, tratores e acampamentos de mineração, além do sequestro de diversas pessoas, incluindo seu filho de 17 anos. 

O jovem relatou ter sido forçado a lavar areia por três dias para extração de ouro antes de conseguir escapar durante um confronto entre ADF e forças do governo. 

Confronto em mina de ouro chinesa na RDC 

Segundo a Radio Okapi, as Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) recuperaram o controle de Muchacha em 24 de março, após confrontos em minas de ouro de propriedade chinesa. Vídeos divulgados após o ataque mostram Muchacha e vilarejos vizinhos completamente desertos. 

Igrejas acolhem crianças deslocadas pela violência na África 

De acordo com a Reliefweb, cerca de 31.600 pessoas fugiram da violência, deslocando-se para Bafwasende, na província de Tshopo. Igrejas locais acolheram crianças deslocadas provenientes de Mangurejipa, que também havia sido atacada. 

Governo promete resposta e igrejas clamam por oração 

O governo da RDC reforçou seu compromisso de continuar lutando contra os grupos terroristas até que a autoridade do Estado seja plenamente restaurada na região. O reverendo Kitika destacou que a igreja permanece unida diante da perseguição: 

Pedidos de oração de cristãos da República Democrática do Congo 

  • Gratidão pela fuga do filho sequestrado do reverendo Kitika. 
  • Por consolo para os enlutados e pelos líderes que enterram seus membros. 
  • Por fortalecimento da igreja diante dos ataques. 
  • Para que Deus supra as necessidades dos deslocados em Mambasa, Nia-Nia, Bafwasende e outras regiões.

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