“O que mais me dói é não saber se elas ainda estão vivas ou se foram mortas”
Ruth com a foto da filha, Godiya, sequestrada em Chibok, na Nigéria
Há 12 anos, Ruth vive entre a esperança e a angústia. Mãe de duas das meninas sequestradas em Chibok, na Nigéria, ela conta que a maior dor não é apenas a saudade, mas a incerteza constante.
Entenda como cristãos são perseguidos na Nigéria, 7º país da Lista Mundial da Perseguição 2026.
Ruth é mãe de Godiya Bitrus e madrasta de Hauwa Bitrus, ambas sequestradas em 2014. Neste mês de abril, completam‑se 12 anos do ataque do grupo terrorista Boko Haram à Escola Secundária Feminina do Governo (Government Girls Secondary School – GGCSS), em Chibok, no Nordeste da Nigéria.
Extremistas fingindo ser soldados
Na noite de 14 de abril de 2014, membros do Boko Haram chegaram à escola fingindo ser soldados do governo enviados para proteger as estudantes. Em vez disso, sequestraram cerca de 275 meninas. Desde então, dezenas foram libertas, mas muitas seguem desaparecidas, sem que suas famílias saibam exatamente o que aconteceu com elas. Ruth se lembra daquele dia como se fosse ontem.
“Estávamos vivendo em paz. Eles atacaram logo depois do casamento do meu filho. Começamos a ouvir sons de tiros antes das 23h. Eu moro em outra aldeia, perto de Chibok. Os tiros continuaram, e não sabíamos de onde vinham. Se era de Chibok, do mercado ou da escola, não dava para dizer”, conta.
Para conhecer a fundo essa história que não pode ser esquecida, ouça o novo PAcast “Meninas de Chibok: Além do sequestro” no Spotify ou YouTube.
12 anos de esperança e frustração
Esses detalhes, que podem parecer pequenos para outras pessoas, são as linhas que Ruth usa para tentar manter vivas as memórias daquele dia e enfrentar a dor enquanto ela e sua família permanecem em um limbo – cheios de esperança, mas também de frustração, mês após mês, ano após ano, sem notícias das meninas.
Ao amanhecer, Ruth caminhou em direção a Chibok.
“Quando cheguei, vi que todo o prédio havia sido queimado. Eles queimaram todo o alojamento. Nem os uniformes das meninas eu consegui encontrar para levar comigo.”
A cristã passou semanas sem conseguir dormir ou descansar.
“Durante uma semana inteira, eu só chorava. Minha boca ficou cansada de tanto chorar, e as lágrimas secaram. Nós lutamos, mas não conseguimos trazê‑las de volta.”
“Será que vou vê‑las novamente?”
Ao longo dos anos, o Boko Haram direcionou suas exigências de resgate ao governo federal da Nigéria. Algumas meninas foram libertas, embora os detalhes dessas negociações permaneçam pouco claros. Para mães como Ruth, que ainda aguardam notícias, a dor continua envolta em silêncio e incerteza.
“Depois de alguns meses, nos disseram para ir a Lagos. Ficamos lá dez dias. Depois, disseram que as meninas estavam lá e que iam aparecer. Até hoje, nós não as vimos”, lamenta.
Hoje, Ruth conta que quase todos os seus pensamentos giram em torno de uma única pergunta: “Será que vou vê‑las novamente?”.
O sofrimento prolongado tem cobrado um preço alto de toda a família. O pai das jovens está muito doente, “não consegue nem esticar o corpo”, segundo Ruth, e a própria cristã também vive em grande ansiedade.
O pedido de Ruth pelas meninas de Chibok
O pedido de Ruth é simples, mas profundo: oração.
“Meus irmãos e irmãs em Cristo, me ajudem em oração para que eu possa ver minhas filhas, assim como outras mães já viram as delas. Queremos ouvir suas vozes e saber que ainda estão vivas. Se não estiverem, que nos digam, para que possamos saber e orar a Deus por ajuda nessa situação. Esse é o meu pedido.”
A Portas Abertas segue levantando sua voz em favor das meninas de Chibok e de Leah Sharibu, pedindo à comunidade internacional que pressione o governo nigeriano a continuar os esforços para libertar todas as pessoas mantidas em cativeiro pelo Boko Haram, incluindo jovens cristãs que ainda permanecem sequestradas.