Cristãos meitei são impedidos de se reunir para cultuar em meio a protestos em Manipur

Famílias afetadas pela violência em Manipur buscam refúgio em abrigos improvisados
Manipur, Índia – A violência em Manipur voltou a provocar dias de intensa instabilidade nesta semana. Parceiros locais da Portas Abertas relataram que, em 13 de abril de 2026, o estado indiano completou seis dias consecutivos de protestos. Em resposta, as autoridades prolongaram o bloqueio da internet e o toque de recolher até 15 de abril, além de reforçarem o policiamento em áreas consideradas sensíveis.
A retomada da violência em Manipur evidencia que o conflito etnorreligioso profundamente enraizado na região permanece longe de uma solução definitiva. As manifestações começaram na semana passada, após a morte de duas crianças e outros civis inocentes. Durante o toque de recolher, a população só tinha autorização para comprar suprimentos básicos das 5h às 12h.
Protestos, conflitos e violência em Manipur
Apesar do envio de tropas e da tentativa de diálogos pontuais, uma solução duradoura continua distante. Nithya*, parceira local da Portas Abertas, esteve em Manipur quando os protestos recomeçaram e descreve um cenário de medo generalizado.
“A situação em Manipur é tensa e marcada pelo medo. A população está furiosa e expressa sua revolta queimando veículos de transporte e promovendo manifestações. Os protestos continuam em vários distritos. Há um grande contingente de forças de segurança, além de toque de recolher e restrições de comunicação”, relata.
Impacto direto sobre cristãos perseguidos em Manipur
Entre os grupos mais afetados estão os cristãos da etnia meitei, que enfrentam não apenas a violência do conflito, mas também restrições severas à prática da fé. Devido ao bloqueio da internet e às restrições de circulação, eles não conseguem se reunir para cultos presenciais nem participar de encontros online.
“Manipur perdeu sua paz; as ruas estão em chamas. O medo da violência em Manipur é constante. Apesar da mudança na liderança política, não houve melhora.
Os cristãos meitei não têm onde adorar; alguns continuam se reunindo em igrejas queimadas. Eles sofrem hostilidade tanto de sua própria comunidade quanto dos kuki-zo por causa do conflito.
Muitos perderam sua fonte de renda. Pastores estão recorrendo ao trabalho diário para sustentar suas famílias. Orem pela paz no estado e pela proteção dos cristãos.”
Deslocamento, pobreza e futuro incerto
Milhares de famílias continuam vivendo em campos de deslocados, enfrentando condições precárias de higiene e recebendo ajuda governamental insuficiente. Mesmo após três anos desde o início do conflito, grande parte da população permanece deslocada, sem perspectiva clara de retorno para casa.
Entenda a realidade de cristãos deslocados por causa da violência em Manipur no vídeo:
Uma geração inteira de jovens e crianças cresce em meio ao medo e ao trauma, com acesso limitado, ou inexistente, à educação. Cada novo episódio de violência aprofunda ainda mais as divisões sociais, tornando a reconciliação cada vez mais difícil.
Índia: 12º país da Lista Mundial da Perseguição 2026
A crise em Manipur ocorre em um contexto mais amplo de perseguição aos cristãos indianos. A nação está entre os 15 primeiros colocados da Lista Mundial da Perseguição 2026, o ranking anual da Portas Abertas que aponta os 50 países onde cristãos enfrentam maior hostilidade por causa da fé.
O nacionalismo religioso tem impulsionado discriminação, violência comunitária e restrições à liberdade religiosa na Índia. Cristãos locais frequentemente enfrentam ataques a igrejas, interrupção de cultos, falsas acusações e pressão social, especialmente em regiões marcadas por tensões étnicas e religiosas, como Manipur.