Juntos podemos mudar a cultura sexual de uma nação, diz pastor do ‘Eu Escolhi Esperar’

Apesar de ter sua eficiência questionada, pastor Nelson Jr. se mostrou a favor da abstinência sexual como prevenção à DST e gravidez precoce.


Pastor Nelson Jr. é o idealizador do Ministério 'Eu Escolhi Esperar'. (Foto: Divulgação)
No último domingo (2), o Fantástico (rede Globo) veiculou uma matéria, questionando a eficácia da campanha do governo Bolsonaro de retardamento da iniciação sexual de adolescentes, para prevenir as DST e a gravidez precoce. Com o slogan “Adolescência primeiro, gravidez depois” e a hashtag #tudotemseutempo para ser usada nas redes sociais, a campanha deve ser lançada pelo ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos (comandado pela ministra Damares Alves) nesta segunda-feira (3).

Na matéria, o programa chamou duas mães e suas respectivas filhas adolescentes para conversar. Uma das garotas afirmou que esperaria pelo casamento para ter relações sexuais, enquanto a outra disse que identificaria o momento em que “estivesse segura para perder a virgindade”. Porém, as duas mães se mostraram contrárias à proposta de “abstinência sexual”.

A tônica da matéria do Fantástico focou-se em destacar que os adolescentes brasileiros não aceitarão a campanha que propõe o retardamento da iniciação sexual.

Porém, o pastor e idealizador do conhecido movimento “Eu Escolhi Esperar”, Nelson Jr. destaca uma outra visão sobre o assunto. Segundo ele, há pelo menos cinco milhões de adolescentes que estão dispostos a esperar pelo casamento para terem sua iniciação sexual.

Em entrevista exclusiva ao Guiame, Nelson Jr. falou sobre como iniciativas semelhantes à dele têm inspirado a campanha do governo Bolsonaro.

Portal Guiame: Já se falou sobre a possibilidade do "Eu Escolhi Esperar" vir a se tornar um programa do governo, porém você mesmo tem desmentido tal informação. Como o "Escolhi Esperar" irá contribuir com a atual campanha de retardamento da iniciação sexual de adolescentes?

Pastor Nelson Junior: Em dezembro, participei de uma audiência pública promovida pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e deixaram bem claro que o projeto do governo ainda não tinha nome. Em declarações recentes na imprensa, a ministra já explicou que os programas do governo estão em desenvolvimento envolvendo outros ministérios como a saúde e educação. Querem associar o nome do nosso movimento ao do governo em uma tentativa de enfraquecer o debate e desgastar a inciativa para alegarem que a motivação é religiosa e assim a sociedade não abraçar a ideia. Imagino que o nome do programa do ministério não será o "Eu Escolhi Esperar" e terá meu total apoio seja qual nome for.

Guiame: Há anos liderando iniciativas como o "Eu Escolhi Esperar", você viu milhares de adolescentes e jovens optando por um estilo de vida que vai na contramão da pós-modernidade (sobretudo com relação à sexualidade). Quais frutos desse movimento você conseguiu ver a curto prazo?

Pastor Nelson: A curto prazo, A primeira coisa que nós percebemos 10 anos atrás, quando iniciamos, foi que o 'Eu Escolhi Esperar' veio como um grande machado, quebrando muitos tabus. O Escolhi Esperar conseguiu conseguiu trazer à superfície um tema que era obscuro, não era tratado.Talvez por isso o Escolhi Esperar tenha se multiplicado tanto. .Havia uma demanda reprimida o tema não era tratado e a gente começou a falar abertamente, à luz da Bíblia, com equilíbrio, de forma saudável e sem rodeios. Sem vulgaridade, mas de uma forma bem clara, na linguagem do jovem.

A segunda coisa que nós percebemos a curto prazo foi o que nós chamamos de cultura do pertencimento. O que é isso? O que fez o 'Eu Escolhi Esperar' viralizar rapidamente nas redes sociais, logo após ter sido criado foi o fato das pessoas irem se identificando ao grupo e à mensagem.Então, [como resposta ao surgimento do ministério] as pessoas postavam coisas do tipo: ‘Até que enfim encontrei um grupo que fala o que eu acredito’. Porque durante muito tempo houve o tabu que “quase ninguém se guarda”, que “quase ninguém é virgem”. A virgindade, a castidade, se preservar, principalmente até o casamento, ainda que não seja mais virgem, pareciam ser escolhas de um pequeno grupo. E o 'Eu Escolhi Esperar' é a resposta mais clara para a sociedade, para o poder público, para a Igreja, para especialistas. É a evidência de que existem milhões que fazem essa escolha.

Guiame: E a médio e longo prazo?

Pastor Nelson: A médio prazo, podemos perceber a evidência do que é um trabalho de conscientização. São quase 10 anos rodando todo o Brasil, com seminários; são aproximadamente 5 milhões de seguidores em todas as redes sociais - a soma total daria mais que isso, mas há pessoas que seguem em mais de uma rede social, então descontamos essas repetições - Milhões de visualizações no nosso canal no Youtube, milhares de livros vendidos e chegamos a ter três mil convites por ano para realizar conferências.

Então, percebemos a médio prazo, que o trabalho de conscientização proporcionou excelentes resultados. Isso nós vemos nos testemunhos, na quantidade de pessoas que já nos escreveram, contando suas histórias, suas realidades, como foram impactadas por essa realidade, encorajadas, fortalecidas, levantadas, impulsionadas, animadas pelo trabalho feito pelo Escolhi Esperar e também por outros movimentos semelhantes, que eu gostaria de honrar aqui.

Outros perfis, outros líderes, algumas denominações específicas desenvolveram projetos e programas para o seu público. Nós temos o caso da Igreja Videira, por exemplo, que trabalhou muito com a corte; temos as igrejas da visão celular, as igrejas da visão MDA, a Renascer em Cristo, também foram igrejas que desenvolveram projetos que fortaleceram esse discurso, porque o fruto não é do Escolhi Esperar sozinho, o fruto é quando a gente tem um conjunto de ações juntas, pode mudar a cultura sexual de toda uma nação. Acredito que esse pode ser o resultado a longo prazo, que é poder realmente transformar a visão cultural em relação ao sexo, principalmente entre crianças e adolescentes. Você podendo alterar isso, a mentalidade sobre o sexo, trazendo ele na sua essência, com o propósito correto, a conscientização com relação ao tempo certo… essa perspectiva saudável produzirá os resultados que ficarão por gerações.

Talvez, esse seja o grande medo das pessoas, que por pura ideologia, interesses políticos e principalmente econômicos, querem fazer sangrar a iniciativa do governo, desgastando a ministra Damares. Eles sabem que projetos e iniciativas como esses (seja o Eu Escolhi Esperar ou qualquer outro de conscientização) significam uma ameaça à ideologia deles. E sabem que o Brasil é um país conservador e que a população abraçando isso, um grupo pequeno e privilegiado vai perder muito, ideologicamente falando e um outro grupo vai perder muito, economicamente falando. Se os adolescentes do Brasil esperarem, quantos preservativos deixarão de ser comprados?
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