Yago Martins sofre ameaça de cancelamento no Instagram por polêmica com webcrentes

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O pastor Yago Martins, teólogo e escritor, enfrentou uma ameaça de encerramento de sua conta no Instagram após uma mobilização nas redes sociais por conta de um desentendimento com os chamados webcrentes, grupo de influenciadores digitais que, em geral, adotam um prisma liberal a respeito de temas diversos.

A origem do imbróglio foram publicações no Stories do Instagram sobre o uso de brincos e cabelo platinado por homens, uma escolha que segundo Yago Martins seria coisa de “boiola”. Imediatamente, webcrentes como Léo Souza, do perfil @NaIgreja, Irmão Flash e Profetirando, dentre outros, reprovaram a abordagem do pastor.

Em resposta, como tentativa de esclarecer que sua manifestação não era algo para ser levado ao pé da letra, Yago Martins fez publicações que foram imediatamente denunciadas para a plataforma do Instagram como “discurso de ódio”. Em um vídeo publicado no canal Dois Dedos de Teologia, o pastor afirmou que as denúncias foram feitas em massa e de maneira coordenada.

A escalada de ódio resultou, inclusive, em um cancelamento de uma live que Martins fazia no Instagram para explicar que tratava-se apenas de um “gracejo” comum para um cearense como ele. A mesma mobilização que derrubou as postagens foi apontada pelo sistema da rede social, que alertou sobre a possibilidade de a conta – que possui 118 mil seguidores – ser cancelada.

No Twitter, os webcrentes reiteraram sua leitura da manifestação de Yago Martins como “homofobia”, com destaque para a percepção entre eles de que a maneira como o pastor falou seria inadequada para alguém na sua posição.

“Segundo o pastor Yago @doisdedosdeteo eu sou boiola. Poxa! O que será de mim? Ainda mais com o atual presidente. E você? É boiola? […] A discussão não é homem furar a orelha, amigo. É alguém querer ser dono da verdade e julgar os outros. Ainda mais usando termos pejorativos que remetem à homofobia. Não posso desenhar mais do que isso, desculpa”, escreveu o Profetirando durante uma sequência de publicações sobre o episódio.

“Gosto muito do Yago (apesar de ser bloqueado por ele) acompanho seu canal no YouTube, o quadro Mundo Cópia é incrível, mas ele como pastor e influencer não deveria falar isso. Nem brincando. Essa é minha opinião”, escreveu o Irmão Flash.

“Estou assustado com esse cara… ele realmente é pastor? que papo preconceituoso e desnecessário”, criticou Léo Souza, que voltou ao assunto em outra sequência de publicações: “Eu não chamei ninguém de homofóbico eu mandei ninguém cancelar ninguém só achei a fala de um pastor preconceituosa e desnecessária. Na minha opinião falar que uma pessoa que usa brinco é boiola, é sim estereotipar”.

Homofobia e perseguição

No YouTube, Yago Martins fez uma live em que apontou aspectos indiretos da mobilização contra sua conta no Instagram, dizendo que poderia entender a intolerância de não cristãos com uma manifestação como a feita por ele, mas não entendia tamanha reação vindo de webcrentes.

“A partir do momento em que eles tentam normalizar o comportamento homossexual, normalizar a orientação homossexual, eles estão contra absolutamente qualquer discurso que brinque com aquela orientação. No esforço por normalizar comportamento, se colocam contra qualquer piada que envolva o comportamento. Ainda que sejam gracejos inocentes, não sejam piadas violentas, que envolva a destruição daquele indivíduo, ou mesmo o vilipêndio contra a índole de qualquer pessoa”, introduziu.

“Até gracejo é tratado de forma negativa porque há um esforço de normalização de comportamento. Mas, para o cristianismo, não existe normalização de comportamento homossexual. Para o cristianismo a homossexualidade é pecado, é um comportamento imoral, idólatra, que ofende o Deus vivo. É um comportamento desviante. Logo, é um pecado, e o pecado é uma coisa negativa”, acrescentou.

Segundo o pastor, é incompreensível que uma manifestação sem violência ou vilipêndio seja entendida, entre cristãos, como homofobia: “Quando você faz um gracejo que envolve homossexualidade de forma negativa, como dizer que homem usar brinco é coisa de boiola […] dentro de um contexto bem-humorado e as pessoas ficam eriçadas nesse nível, eu entendo que aconteça vindo de descrentes, eu não entendo quando uma comunidade de webcrentes […] repetem esse tipo de discurso”, desabafou.

Por fim, Yago Martins alertou para uma possível evolução do tipo de censura que sofreu, em um cenário de limitação das liberdades de expressão e religiosa: “‘Ah, Yago, achei uma brincadeira sem graça’. Tudo bem, não tem problema nenhum. ‘Achei desrespeitoso’. Tudo bem. Chamar isso de homofobia, tratar por homofobia, ao ponto da minha página no Instagram ser excluída, praticamente, ser ameaçada de ser excluída, ao ponto de eu perder uma plataforma de fala, é ridículo. E no fim das contas, fazem coro a todos aqueles que perseguem a Igreja”, disparou.

“Quando estiverem entrando em igrejas para prender pastores, quando eu não estiver perdendo meu Instagram, mas quando eu estiver sendo preso por pregar na minha igreja que homossexualidade é pecado, quando outros pastores estiverem sendo presos por fazerem qualquer tipo de gracejo que envolva homossexualidade, no contexto de Igreja, quando pastores estiverem sendo presos […] o Léo, do Na Igreja, o Irmão Flash, esses webcrentes que ficam perseguindo qualquer pessoa que faça gracejos envolvendo homossexualidade, vocês vão ser culpados disso. Vocês estão, já, ajudando a fazer coro a toda uma comunidade que persegue a fé e cerceia liberdade quando vocês agem dessa forma”, finalizou o pastor.


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