Três cristãos são mortos e outros 15 são sequestrados durante vigília de oração na Nigéria

Após o ataque à igreja, líderes locais suspenderam cultos noturnos e organizações de direitos humanos denunciaram o avanço da violência em Kwara.

Cristãos foram surpreendidos pelos extremistas enquanto oravam. (Foto: Ilustração/Portas Abertas)

Homens armados invadiram uma vigília de oração e mataram três cristãos, além de sequestrar outros 15 fiéis em uma igreja na noite do último sábado (23), no estado de Kwara, no oeste da Nigéria

O ataque aconteceu por volta das 20h30, na comunidade de Ori-Oke Ajaiye, perto da vila de Ekerin. Segundo a polícia local, os criminosos chegaram atirando contra os cristãos que participavam da reunião. 

“O Comando da Polícia do Estado de Kwara condena veementemente o ataque brutal, o assassinato e o sequestro de fiéis inocentes por criminosos armados”, disse Adetoun Ejire-Adeyemi, porta-voz do Comando da Polícia do Estado de Kwara ao Morning Star News.

Conforme o militar, o incidente foi relatado às autoridades no dia seguinte pelo pastor Adebayo Abiodun. 

A polícia informou que já iniciou uma operação de busca para tentar localizar as vítimas sequestradas e prender os responsáveis. A ação envolve equipes especiais, drones e unidades de inteligência. 

“O comandante da polícia descreveu o ataque como bárbaro, cruel e inaceitável, assegurando às famílias dos falecidos, dos feridos e das vítimas sequestradas que os militares estão totalmente empenhados em garantir o resgate de todas as vítimas e a prisão dos autores desse ato hediondo”, disse Ejire-Adeyemi.

Suspensão dos cultos noturnos

Após o caso, o Conselho do Governo Local de Ekiti pediu que as igrejas da região suspendessem cultos durante a noite por tempo indeterminado. Segundo o governo local, a decisão já havia sido recomendada antes devido à atividade terrorista no estado de Kwara.

“A fé não pode ser praticada à custa da vida. Temos aconselhado consistentemente igrejas e mesquitas em áreas isoladas a pararem de realizar vigílias noturnas. O culto tem o propósito de edificar e proteger, não de expor as pessoas a perigos evitáveis”, relatou Awelewa Olawale Gabriel, presidente do Conselho do Governo Local de Ekiti.

O Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos (CDHR) também condenou o ataque. Em nota, o órgão afirmou que a violência tem aumentado na região e que moradores vivem com medo constante de novos ataques.

O incidente causou desespero nas comunidades vizinhas, fazendo moradores fugirem em busca de segurança em meio aos tiros e à confusão. 

“Os ataques contínuos contra cidadãos inocentes, a destruição de meios de subsistência, o deslocamento de comunidades e uma crescente atmosfera de medo são inaceitáveis ​​em qualquer sociedade democrática", afirmou o CDHR.

“Infelizmente, os esforços do governo estadual parecem não ser suficientes para proteger os cidadãos da onda persistente de ataques terroristas, sequestros e crimes violentos que se espalham por diversas comunidades. O silêncio, a resposta fraca e a aparente falta de urgência do governo em todos os níveis encorajaram ainda mais os criminosos e deixaram os moradores abandonados ao medo, à incerteza e à anarquia”, acrescentou.

‘Apelamos às autoridades com urgência’

O CDHR demonstrou preocupação com o aumento da violência no estado de Kwara. De acordo com o órgão, a região está se tornando rapidamente um foco de terrorismo e extremismo, especialmente na parte sul do estado, onde comunidades rurais vivem sob ameaça constante de ataques, sequestros, assassinatos e deslocamentos forçados.

“Os agricultores já não conseguem aceder às suas terras agrícolas em segurança, as atividades económicas estão sendo perturbadas e a liberdade de circulação foi severamente restringida pelo medo e pela insegurança. Este último ataque reflete também um padrão preocupante de ataques repetidos a centros religiosos e a comunidades rurais em todo o estado”, informou o grupo.

Por fim, o comitê alertou que a repetição desses casos mostra a crescente ousadia de grupos criminosos que atuam na região e fez um apelo às autoridades:

“Apelamos ao governador do estado de Kwara, ao Governo Federal da Nigéria, às agências de segurança e a todas as autoridades competentes para tomarem medidas decisivas, coordenadas e contínuas com urgência, a fim de restaurar a paz, a segurança e a confiança pública nas comunidades afetadas. As comunidades rurais não devem ser abandonadas à violência e à anarquia”.

A Nigéria ocupa o 7º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, da missão Portas Abertas, que classifica os 50 países onde é mais difícil ser cristão.

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