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Mais de 40 cristãos são mortos na Nigéria em ataques na semana de Natal

 O governo brasileiro fez uma nota de repúdio condenando um dos ataques na cidade de Pemi, na Nigéria.

Funeral de 43 pessoas em 29 de novembro de 2020 em Zabarmari, na Nigéria. (Foto: Audu Marte/AFP)

A semana do Natal foi marcada por ataques terroristas que levaram à morte de cerca de 44 cristãos na Nigéria. Pelo menos 11 pessoas foram mortas por terroristas do Boko Haram em Borno, e outras 33 foram assassinadas por militantes Fulani em Kaduna.

No estado de Borno, no nordeste da Nigéria, 11 cristãos foram mortos por extremistas islâmicos na véspera de Natal, na última quinta-feira (24), enquanto outras duas pessoas foram mortas no estado vizinho de Adamawa.

Moradores das cidades de Pemi e Debro, próximas à cidade de Chibok, disseram que os insurgentes eram membros do grupo terrorista Boko Haram e que os militantes queimaram um prédio da Igreja dos Irmãos (EYN) em Pemi. 

O número de mortos divulgado inicialmente eram sete, mas subiu para 11, segundo a AFP. Além disso, sete pessoas foram sequestradas, incluindo um pastor.

O ataque começou por volta das 18h, disse um morador da área de Awiya Lawan ao Morning Star News. “Casas, carros e lojas foram incendiadas. Os homens do Boko Haram realizaram os ataques por três horas antes que os soldados chegassem às 21h”, disse.

Peter Solomon, outro morador da área, disse que os terroristas do Boko Haram buscam estabelecer a sharia (lei islâmica) em toda a Nigéria. “Eles destruíram o prédio da igreja EYN e saquearam alimentos de muitas casas antes de queimar cerca de 10 casas em Pemi”, conta.

O ataque terrorista em Pemi foi condenado “com veemência” pelo governo brasileiro. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores no sábado (26), o Brasil prestou condolências às famílias das vítimas e afirmou que “reitera seu firme repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo, independentemente de sua motivação”.

“O governo brasileiro reitera, igualmente, sua determinação de trabalhar com todos os parceiros contra o terrorismo, inclusive mediante uma crescente investigação e enfrentamento das conexões do terrorismo com o narcotráfico e outras formas do crime organizado transnacional, notadamente, neste caso, as conexões entre o narcotráfico na América do Sul e o terrorismo na África”, diz o comunicado.

Ainda em 24 de dezembro, em Adamawa, o Boko Haram promoveu mais um ataque, mas foi impedido pelas forças do Exército Nigeriano. No entanto, o governador de Adamawa, Ahmadu Umaru Fintiri, divulgou um comunicado no dia de Natal dizendo que dois civis foram mortos no ataque, incluindo um menino de 5 anos.

A tentativa de ataque forçou os cristãos de Adamawa a interromper os preparativos para o Natal e fugir para a floresta. “Está tudo bem para nós, povo de Garkida, ficar calado, porque a vitória pertence ao nosso Deus e Senhor, Jesus Cristo”, disse Rhoda Yadiwutuwa, moradora da região.

“Tudo o que o Boko Haram planejou contra nós falhou”, disse outro morador, Markus Bulu. “Seja o que for, ainda vamos comemorar o Natal. Jesus, estamos muito gratos neste dia, mesmo com a experiência ruim que tivemos na noite passada. Não temos nada a oferecer como agradecimento, mas oferecemos nossos corações em um profundo clamor a Sua Majestade neste dia de Natal”.

Mortes no centro-norte da Nigéria

Pelo menos 33 cristãos foram mortos em uma série de ataques por pastores muçulmanos Fulani em três condados do estado de Kaduna, disseram líderes cristãos ao Morning Star News. Além disso, 18 casas foram destruídas e mais de 2.500 pessoas ficaram desabrigadas.

Em 17 de dezembro, no condado de Zangon-Kataf, os Fulani mataram pelo menos 10 cristãos na vila de Goran Gan e destruíram 18 casas. Em 21 de dezembro, outras três pessoas foram mortas nas vilas de Ungwan Jatau e Ungwan Gimba.

Luka Biniyat, porta-voz da União do Povo Kaduna do Sul (SOKAPU), acrescentou em nota publicada em 21 de dezembro que mais três cadáveres foram recuperados, elevando o número de cristãos mortos em Gora Gan para pelo menos 10.

Também no condado de Zangon-Kataf, em 19 de dezembro, os Fulani mataram quatro cristãos em quatro outras aldeias: Ungwan Gaiya, Ungwan Gimba, Ungwan Makama e Apimbu, de acordo com o comissário do Ministério de Segurança Interna e Assuntos Internos do estado, Samuel Aruwan.

“Os militares confirmaram que duas casas foram queimadas no ataque ao Apimbu”, disse Aruwan.

No condado de Chikun, os Fulani mataram na terça-feira (22) sete cristãos e feriram quatro na vila de Gbaja e mataram mais dois cristãos em Ungwan Gwaiva, disseram fontes da região. No condado de Kajuru, três cristãos foram mortos na aldeia de Kujeni no mesmo dia.

“As pessoas sequestradas foram submetidas a condições desumanas e experiências traumatizantes. Alguns membros da família dos sequestrados foram baleados enquanto tentavam escapar dos sequestradores”, disse o Rev. Ali Buba Lamido sobre os sequestros que acompanharam as mortes.

A Nigéria é classificada pela organização Portas Abertas como o 12º país onde os cristãos mais sofrem perseguição. A nação é ainda o segundo lugar no número de cristãos mortos por sua fé, ficando atrás apenas do Paquistão.

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