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A polícia do estado de Rajasthan, no noroeste da Índia, registrou recentemente o primeiro caso sob a legislação anticonversão promulgada recentemente no estado, contra dois missionários. Os cristãos foram acusados de realizar conversões religiosas em uma reunião por meio de "aliciamento", de acordo com relatos da mídia.
Após registrar o caso em 20 de novembro, a polícia emitiu intimações aos dois missionários – Chandy Varghese, de Nova Delhi, e Arun John, de Kota – alegando que eles promoveram a conversão e batizaram várias pessoas durante um programa de três dias conhecido como 'Satsang Espiritual' na Igreja de Beersheba, em Kota.
A polícia investigou o caso após a divulgação de vídeos e clipes em redes sociais mostrando discursos e atividades do evento. Vários jovens teriam anunciado do palco que haviam se convertido ao cristianismo e se batizado, enquanto convocavam outros a adotarem a fé cristã. O Rajastão é um dos 12 estados da Índia que possuem leis rigorosas contra a conversão ao cristianismo.
Um boletim de ocorrência foi registrado pela polícia após queixas apresentadas por dirigentes locais do Vishwa Hindu Parishad (VHP) e de seu braço jovem radical, o Bajrang Dal, grupos hindus linha-dura que atuam no controle de atividades cristãs.
O boletim de ocorrência registrado na delegacia de polícia de Borkheda afirma que o acusado fez comentários ofensivos sobre a comunidade hindu e descreveu o governo do Rajastão como o "reino do diabo".
Os dois missionários, que negaram qualquer irregularidade, foram indiciados, em parte, com base na Lei de Proibição da Conversão Ilegal de Religião do Rajastão, de 2025.
Entretanto, a polícia afirmou que analisaria as imagens das redes sociais e as declarações dos participantes.
Em setembro, o governo do Rajastão aprovou uma versão rigorosa de seu projeto de lei anticonversão, com punições que variam de longos períodos de prisão a multas severas para reincidentes.
Autoridades governamentais afirmaram que o projeto de lei impediria conversões religiosas por meio de coerção, deturpação dos fatos ou meios fraudulentos.
A legislação, no entanto, tem sido alvo de críticas devido às suas penas severas, incluindo prisão perpétua, confisco e demolição de propriedades para quem realizar conversões.
Petições foram apresentadas ao Supremo Tribunal Federal questionando a validade da lei, e notificações foram enviadas ao governo estadual. Os peticionários alegaram que a lei era "constitucionalmente falha", contradizia as decisões do Supremo Tribunal Federal e afirmaram que a legislatura estadual havia excedido sua autoridade ao promulgá-la.

