Mais de 100 jihadistas são soltos no Mali

 Líder cristão local revela a situação atual da igreja após crise de combustíveis no país e possível acordo com extremistas

Extremistas bloquearam fornecimento de combustível na região da capital Bamaco (foto representativa)
O governo do Mali libertou mais de 100 jihadistas em um acordo com grupos extremistas para interromper os ataques que estão impedindo carregamentos de combustível de entrar na capital Bamaco. Há quase sete meses, o Mali vem enfrentando escassez de combustível que impacta a vida diária da população e as atividades da igreja local. 

Existe uma controvérsia em torno da soltura dos guerrilheiros, pois o exército do Mali agora nega que houve um acordo, apesar de a notícia ter sido veiculada por fontes da segurança e da política nacional. 

“Essas informações estão sendo veiculadas em uma tentativa de manchar a imagem do Mali e destruir a confiança entre a população e as instituições, especialmente as forças de segurança”, disse Souleymane Dembele, diretor de Informação e Relações Públicas das Forças Armadas. 

A Portas Abertas conversou com Yabaga Diarra (pseudônimo), um líder cristão local e porta-voz da campanha Desperta África no Mali, que contou o que vem acontecendo no país. 

Portas Abertas (PA): O que foi dito no Mali sobre como o bloqueio de combustíveis terminou? 

Yabaga Diarra (YD): A crise começou em setembro de 2025, e as autoridades nunca revelaram sua origem. A situação começou a melhorar após uma trégua entre os militares e o grupo JNIM (Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin). Tudo o que sabemos é que a trégua aconteceu após semanas de severa falta de combustível na região de Bamaco. Caminhões de combustível vindos de países vizinhos foram queimados, alvejando os suprimentos da capital. Foi aí que o governo admitiu o problema e incentivou a população a permanecer resiliente.  

A forma como a trégua aconteceu nunca foi divulgada. Pessoas com informações internas dizem que as negociações envolveram pagamento de uma grande quantia em dinheiro e a libertação de jihadistas presos. No Mali, há um ditado que diz “não há fumaça sem fogo”. 

PA: Como ficou a vida diária com o bloqueio de combustível no Mali? 

YD: A economia fragilizada fez os cidadãos do Mali sofrerem demais após as ONGs internacionais e o exército francês deixarem o país. O bloqueio piorou essa situação ainda mais. O preço de alimentos e outros produtos de necessidade básica aumentaram muito e houve falta de suprimentos e medicamentos. Transporte e viagens se tornaram um desafio. As pessoas perderam seus empregos. Há insegurança e longas filas por combustível. Em diversas escolas, as aulas foram suspensas. 

PA: Como o bloqueio impactou as atividades da igreja? 

YD: No começo, o impacto foi pesado. As pessoas deixaram de participar das programações. Os cultos foram afetados pois, como usamos geradores a gasolina, não tínhamos energia para o sistema de som. Visitar os irmãos e servirmos uns aos outros também foi um desafio. Missionários nas regiões rurais ficaram sozinhos. 

PA: Você acha que as coisas vão mudar com o reabastecimento de combustível na região? 

YD: As coisas estão instáveis. Se os jihadistas continuarem controlando as estradas e impondo suas regras, a situação vai piorar. A crise de combustível é apenas a ponta do iceberg.  

PA: Você vê Deus trabalhando em meio às dificuldades atuais no país? 

YD: Eu me impressiono o quanto Deus tem sido fiel conosco. Na minha igreja, nós ainda nos reunimos sempre que possível, e sei que o Senhor está ouvindo nossas orações quando vejo que outros cristãos ao redor do mundo estão orando por nós e nos apoiando. 

Estenda a mão aos cristãos mais perseguidos

Você pode fazer a diferença para os cristãos em todos os países onde a igreja é mais perseguida. Com sua doação, a Missões Urgente leva ajuda emergencial e supre as necessidades da igreja local.

Mulher Cristã Em País Onde A Perseguição Aumentou, Representando O Pedido De Apoio Aos Cristãos Mais Perseguidos Do Mundo.

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