Líder cristão local revela a situação atual da igreja após crise de combustíveis no país e possível acordo com extremistas
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| Extremistas bloquearam fornecimento de combustível na região da capital Bamaco (foto representativa) |
Existe uma controvérsia em torno da soltura dos guerrilheiros, pois o exército do Mali agora nega que houve um acordo, apesar de a notícia ter sido veiculada por fontes da segurança e da política nacional.
“Essas informações estão sendo veiculadas em uma tentativa de manchar a imagem do Mali e destruir a confiança entre a população e as instituições, especialmente as forças de segurança”, disse Souleymane Dembele, diretor de Informação e Relações Públicas das Forças Armadas.
A Portas Abertas conversou com Yabaga Diarra (pseudônimo), um líder cristão local e porta-voz da campanha Desperta África no Mali, que contou o que vem acontecendo no país.
Portas Abertas (PA): O que foi dito no Mali sobre como o bloqueio de combustíveis terminou?
Yabaga Diarra (YD): A crise começou em setembro de 2025, e as autoridades nunca revelaram sua origem. A situação começou a melhorar após uma trégua entre os militares e o grupo JNIM (Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin). Tudo o que sabemos é que a trégua aconteceu após semanas de severa falta de combustível na região de Bamaco. Caminhões de combustível vindos de países vizinhos foram queimados, alvejando os suprimentos da capital. Foi aí que o governo admitiu o problema e incentivou a população a permanecer resiliente.
A forma como a trégua aconteceu nunca foi divulgada. Pessoas com informações internas dizem que as negociações envolveram pagamento de uma grande quantia em dinheiro e a libertação de jihadistas presos. No Mali, há um ditado que diz “não há fumaça sem fogo”.
PA: Como ficou a vida diária com o bloqueio de combustível no Mali?
YD: A economia fragilizada fez os cidadãos do Mali sofrerem demais após as ONGs internacionais e o exército francês deixarem o país. O bloqueio piorou essa situação ainda mais. O preço de alimentos e outros produtos de necessidade básica aumentaram muito e houve falta de suprimentos e medicamentos. Transporte e viagens se tornaram um desafio. As pessoas perderam seus empregos. Há insegurança e longas filas por combustível. Em diversas escolas, as aulas foram suspensas.
PA: Como o bloqueio impactou as atividades da igreja?
YD: No começo, o impacto foi pesado. As pessoas deixaram de participar das programações. Os cultos foram afetados pois, como usamos geradores a gasolina, não tínhamos energia para o sistema de som. Visitar os irmãos e servirmos uns aos outros também foi um desafio. Missionários nas regiões rurais ficaram sozinhos.
PA: Você acha que as coisas vão mudar com o reabastecimento de combustível na região?
YD: As coisas estão instáveis. Se os jihadistas continuarem controlando as estradas e impondo suas regras, a situação vai piorar. A crise de combustível é apenas a ponta do iceberg.
PA: Você vê Deus trabalhando em meio às dificuldades atuais no país?
YD: Eu me impressiono o quanto Deus tem sido fiel conosco. Na minha igreja, nós ainda nos reunimos sempre que possível, e sei que o Senhor está ouvindo nossas orações quando vejo que outros cristãos ao redor do mundo estão orando por nós e nos apoiando.
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