Após o assassinato do professor, moradores protestaram, igrejas se uniram em oração e líderes pediram mais segurança e a libertação dos reféns.
O professor Michael Oyedokun. (Foto: Reprodução/ICC)
No último domingo (17), um professor de matemática cristão sequestrado durante ataques armados a escolas no estado de Oyo, no sudoeste da Nigéria, foi assassinado após ser levado por terroristas.
O ataque ocorreu em 15 de maio na comunidade de Ahoro Esinle, no distrito de Orire, e teve como alvo a Escola Secundária Comunitária de Ahoro-Esinele, além da Escola Infantil e Primária Batista de Yawota e outras instituições da região. Durante a ação coordenada, homens armados sequestraram dezenas de estudantes e professores.
Os terroristas levaram ao menos 46 pessoas durante os ataques, entre elas 39 crianças e sete professores. Segundo Elisha Olukayode Ogundiya, presidente da Associação Cristã da Nigéria no estado de Oyo, a maioria das vítimas tinha entre 2 e 16 anos.
Segundo testemunhas, os criminosos chegaram em motocicletas e fugiram em direção a áreas de mata levando estudantes, professores e funcionários.
Entre as vítimas estava Michael Oyedokun, professor de matemática e cristão que, dias após o sequestro, foi encontrado morto.
‘Ele implorou pela própria vida’
Moradores descreveram Michael como um educador comprometido e um homem de fé que servia sua comunidade com dedicação.
“Ele era apenas um professor. Ele só queria ensinar e transmitir conhecimento aos seus alunos. Ele foi sequestrado, amarrado e obrigado a implorar por sua vida em lágrimas. Ele foi jogado no chão e sua cabeça foi brutalmente decepada. Um ato de animais bárbaros e sem coração que servem a um deus demoníaco sedento de sangue. Esses são os terroristas que o governo chama de seus ‘irmãos’. Como um país, deveríamos acordar todos os dias e essa imagem nos assombrar”, disse um médico nigeriano que mora no Reino Unido.
A morte do professor gerou forte comoção em Ogbomoso, onde professores, jovens e moradores realizaram protestos e bloquearam vias da cidade exigindo mais segurança nas escolas e comunidades rurais.
O governador de Oyo, Seyi Makinde, confirmou a morte do professor e informou que seis suspeitos foram presos na região, entre eles supostos informantes e pessoas acusadas de fornecer equipamentos aos criminosos.
Conforme o governador, uma operação conjunta de resgate envolvendo militares, policiais e agentes de segurança precisou ser interrompida após explosivos serem encontrados no trajeto utilizado pelos terroristas. A ação deixou vários integrantes das forças de segurança feridos.
Proteção às vítimas
Líderes religiosos e civis também se manifestaram após o ataque, pedindo a libertação dos sequestrados e a prisão dos envolvidos. Autoridades locais afirmaram que o caso voltou a levantar preocupações sobre a segurança em escolas do sudoeste da Nigéria, onde sequestros em troca de resgate têm aumentado nos últimos anos.
Durante uma reunião de oração realizada em Ogbomoso pelas vítimas e suas famílias, um pastor pediu que as autoridades reforcem as operações de inteligência e ampliem a proteção às comunidades mais vulneráveis.
“Os ataques contra professores e alunos deixaram muitas famílias com medo”, relatou um líder comunitário.
Familiares, colegas e estudantes no estado de Oyo continuam lamentando a morte do professor, enquanto igrejas realizam encontros de oração pelo retorno seguro dos reféns.
O presidente da Nigéria, Bola Tinubu, classificou o assassinato do professor como “bárbaro” e afirmou que o governo federal está atuando em conjunto com as autoridades estaduais para localizar e libertar os reféns. Em um comunicado, ele informou que a polícia enviou agentes de inteligência para reforçar as buscas na região.