Manifestação em Herat termina com mortos, feridos e detenções
Mulheres caminhando em via urbana no Afeganistão, o 11º país da Lista Mundial da Perseguição 2026 (foto representativa)
A repressão contra mulheres no Afeganistão voltou a ganhar destaque após um protesto realizado na cidade de Jebrail, em Herat. Mulheres saíram às ruas em 9 de junho de 2026 para denunciar medidas do Talibã sobre o descumprimento de códigos de vestimenta, mas a mobilização terminou em violência.
Segundo veículos de imprensa internacionais, a manifestação foi pacífica. Ainda assim, combatentes do Talibã responderam com disparos, resultando em mortos, feridos e detenções.
Morte de menino durante protestos é confirmada
Durante o ato, as mulheres entoavam frases como “educação, trabalho, liberdade”, destacando a insatisfação com as restrições impostas nos últimos anos.
As medidas incluem limitações ao acesso à educação e ao mercado de trabalho. Apesar do caráter pacífico, testemunhas afirmam que houve repressão imediata.
Informações divulgadas por diferentes fontes, como o jornal The Guardian e a agência de notícias CBS, indicam que ao menos duas pessoas morreram, enquanto mais de uma dezena ficou ferida.
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA, da sigla em inglês) confirmou a morte de um menino atingido por tiros e relatou que outras pessoas foram agredidas com bastões. Ainda há investigação sobre uma possível segunda vítima fatal.
Polícia nega mortes e repressão violenta aos protestos no Afeganistão
Fontes locais apontam números mais altos de vítimas. De acordo com testemunhas, houve mortes, feridos e ao menos 13 prisões após o confronto. Profissionais de saúde também relataram atendimento de vítimas com ferimentos por armas de fogo.
Por outro lado, autoridades em Herat minimizaram o ocorrido. A polícia local afirmou não ter conhecimento de mortes e declarou que a intervenção teve como objetivo manter a ordem pública, não responder com brutalidade.
Comunidade vulnerável: riscos para o povo hazara
O protesto ocorreu em uma área majoritariamente habitada pelo povo hazara. Esse grupo étnico, em sua maioria muçulmano xiita, enfrenta discriminação histórica no país.
Os hazara estão entre os mais vulneráveis no Afeganistão, especialmente sob o governo do Talibã, que segue a vertente sunita do islamismo. Além da perseguição religiosa, eles também sofrem com marginalização social e violência.
Situações como essa reforçam o cenário de pressão enfrentado por minorias religiosas e por mulheres no país, que ocupa posição de destaque na Lista Mundial da Perseguição 2026, na 11ª posição entre os 50 países onde cristãos são mais perseguidos.
Apelo por dignidade
Um parceiro da Portas Abertas expressou preocupação com os acontecimentos. Segundo ele, o episódio evidencia a necessidade urgente de respeito aos direitos básicos das mulheres e encoraja a igreja global a interceder pelos cristãos afetados pela instabilidade no Afeganistão.
“Estamos preocupados pelo incidente que aconteceu em Herat e entristecidos pela morte e pelos feridos. As mulheres devem ter direito a viver em liberdade e com dignidade. Elas devem ter acesso à educação e oportunidades de trabalho na sociedade afegã.”
— parceiro da Portas Abertas