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Imagens de satélite mostram valas comuns perto de igrejas massacradas na Etiópia

Centenas de pessoas foram mortas em torno de duas igrejas da Etiópia, em um ataque promovido por soldados etíopes e eritreus.

Imagens de satélite revisadas pela Anistia Internacional mostram solo alterado em torno de duas igrejas da Etiópia, indicando um enterro em massa no local. (Foto: Maxar Technologies)

Um relatório publicado na sexta-feira (26) pela Anistia Internacional valas comuns foram registradas por imagens de satélite no norte da Etiópia, indicando que centenas de pessoas foram massacradas na região de Tigray, que é predominantemente cristã.

“A análise de imagens de satélite do Laboratório de Evidências de Crise da [Anistia] comprova relatos de bombardeios indiscriminados e saques em massa, bem como identifica sinais de novos enterros em massa perto de duas igrejas da cidade”, diz a organização.

As mortes teriam sido provocadas por tropas da Eritreia, que faz fronteira com o estado de Tigray, na Etiópia. Centenas de pessoas desarmadas foram assassinadas na cidade de Axum entre 28 e 29 de novembro de 2020. 

Segundo a Anistia, as tropas eritreias abriram fogo nas ruas de Axum e conduziram ataques de porta em porta, “em um massacre que pode representar um crime contra a humanidade”.

“As evidências são convincentes e apontam para uma conclusão assustadora: as tropas da Etiópia e da Eritreia cometeram vários crimes de guerra em sua ofensiva para assumir o controle de Axum”, disse Deprose Muchena, diretor da Anistia Internacional para a África Oriental e Austral.

Os assassinatos em massa ocorreram pouco antes da celebração anual na Axum Tsion Mariam, uma importante Igreja Ortodoxa Etíope, onde alegam estar localizada a Arca da Aliança descrita no livro de Êxodo. Por conta disso, o local normalmente atrai muitos peregrinos e turistas para a festividade de 30 de novembro.

Cerca de 750 pessoas foram mortas no ataque, acreditando que o objetivo dos invasores era levar a Arca da Aliança para Adis Abeba, informou o Programa Externo da Europa para a África, em relatório divulgado em 9 de janeiro.

Corpos espalhados pelas ruas

De acordo com o relato de 41 sobreviventes e testemunhas à Anistia Internacional, a onda de violência começou em 19 de novembro de 2020, quando as forças militares da Etiópia e da Eritreia assumiram o controle de Axum.

Nos nove dias que se seguiram, os militares eritreus se envolveram em saques generalizados de propriedades civis e execuções extrajudiciais. No entanto, as tropas da Eritreia desencadearam o pior da violência nos dias 28 e 29 de novembro.

Os assassinatos deixaram as ruas e praças de Axum cobertas de corpos. Um homem que fugiu da cidade voltou à noite depois que o tiroteio parou. “Tudo o que podíamos ver nas ruas eram cadáveres e pessoas chorando”, disse ele.

Em 29 de novembro, soldados eritreus atiraram em qualquer pessoa que tentasse mover os corpos dos mortos.

Os soldados também fizeram incursões de casa em casa. Um homem disse que, pela janela, viu seis homens mortos na rua em frente à sua casa em 29 de novembro. Ele disse que os soldados fizeram uma fileira e atiraram por trás, usando uma metralhadora para matar vários de uma vez, com uma única bala.

A Anistia não conseguiu contabilizar o número total de mortos, mas estima que tenha sido centenas de pessoas. Foram coletados os nomes de mais de 240 vítimas através de alguns entrevistados.

“Com urgência, deve haver uma investigação liderada pela ONU sobre as graves violações em Axum. Os suspeitos de responsabilidade por crimes de guerra ou crimes contra a humanidade devem ser processados ​​em julgamentos justos e as vítimas e suas famílias devem receber reparação integral", disse Deprose Muchena.

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