Mais de 100 cristãos mortos e mais de 90.000 deslocados na Nigéria

 

A Diocese Católica de Wukari soou um alarme urgente sobre o que descreve como ataques implacáveis e sistemáticos por supostos militantes fulani em todo o sul do Estado de Taraba, deixando mais de 100 mortos, milhares feridos e mais de 90.000 católicos deslocados desde setembro de 2025.

Em uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira na Secretaria Católica em Jalingo, líderes diocesanos detalharam meses de ataques coordenados contra comunidades agrícolas predominantemente cristãs no distrito de Chanchanji, na área de governo local de Takum, e partes das associações de governo local de Ussa e Donga. Os ataques, disseram, dizimaram vilarejos inteiros, destruíram mais de 200 comunidades e igrejas, e deixaram famílias sem casa, meios de subsistência ou proteção.

Autoridades diocesanas disseram que a violência seguiu um padrão consistente e assustador. Atacantes armados chegam nas primeiras horas da manhã, quando os moradores estão adormecidos, disparando tiros e incendiando casas, igrejas e plantações colhidas. Sobreviventes relatam como fugiram para os arbustos ao redor enquanto entes queridos eram baleados e propriedades reduzidas a cinzas.

O ataque mais recente ocorreu em 10 de fevereiro, por volta das 5h30 na vila de Mcia, distrito de Chanchanji, onde mais de dez cristãos foram mortos e várias casas destruídas. Líderes da igreja dizem que tais incidentes não são mais eventos isolados, mas parte de uma campanha contínua de terror que tem como alvo populações cristãs rurais.

Além da perda imediata de vidas, os ataques desencadearam uma crise humanitária cada vez mais profunda. Terras inteiras teriam sido tomadas pelos militantes, que supostamente atacam qualquer agricultor deslocado que tente voltar para colher as colheitas e alimentar suas famílias.

Também há relatos preocupantes de mulheres sendo estupradas enquanto tentavam conseguir comida. Em alguns casos, estradas foram bloqueadas e viajantes desavisados foram emboscados e mortos. As autoridades diocesanas ainda alegam que as culturas cultivadas por comunidades deslocadas agora estão sendo colhidas pelos atacantes e usadas para alimentar seu gado.

A Diocese alertou que a crise não apenas ameaça as comunidades cristãs locais, mas também prejudica a liberdade religiosa e a estabilidade regional. Residências de padres e edifícios de igrejas foram especificamente alvo e destruídos em algumas áreas, reforçando o temor de que a violência não seja apenas criminosa, mas também motivada religiosamente.

"A carnificina continua representando uma ameaça existencial à vida e um sério desafio ao crescimento da fé cristã e ao desenvolvimento da infraestrutura da região", afirmaram líderes diocesanos.

Ao expressar apreço pelas recentes intervenções de segurança do Governo do Estado de Taraba e de agências de segurança em outros pontos críticos como Karim Lamido, o eixo Sarkin Kudu e o corredor rodoviário Rafin Kada–Takum, a Diocese pediu uma expansão urgente desses esforços para as áreas mais afetadas em Chanchanji, Takum, Ussa e Donga.

Líderes da igreja apresentaram vários apelos urgentes às autoridades:

* Deslocação imediata de pessoal de segurança adequado para zonas rurais, onde os ataques continuam sem interrupção.

* Prisão e processo rápidos dos perpetradores e facilitadores da violência, independentemente da filiação étnica, política ou religiosa.

* Intervenção humanitária abrangente para deslocados internos (PLOCs), incluindo alimentos, cuidados médicos, roupas de cama, suprimentos de saneamento e abrigos temporários para evitar um desastre humanitário maior.

* Diálogo genuíno entre governantes tradicionais, líderes religiosos, agências de segurança e autoridades políticas para promover uma paz sustentável no sul de Taraba.

A Diocese enfatizou que, embora permaneça comprometida com a oração e a colaboração com o governo, pode buscar assistência internacional caso o Estado se mostre incapaz de garantir a proteção constitucional de vidas e propriedades.

A crise em desenvolvimento no sul de Taraba reflete um padrão mais amplo de violência em toda a região do Cinturão Médio da Nigéria, onde comunidades agrícolas predominantemente cristãs enfrentaram repetidos ataques por grupos armados identificados por líderes locais como militantes fulani. Defensores dos direitos humanos há muito alertam que a impunidade, a fraca aplicação da lei e a falha em responsabilizar os perpetradores encorajaram os atacantes e aprofundaram a insegurança comunitária.

Enquanto dezenas de milhares permanecem deslocados e temendo retornar para casa, a Diocese Católica de Wukari insta as autoridades nacionais e a comunidade internacional a reconhecerem a gravidade da situação. Sem uma ação decisiva, alertam líderes religiosos, o sul de Taraba corre o risco de mais desestabilização, aprofundamento do sofrimento humanitário e contínua erosão da liberdade religiosa para comunidades cristãs vulneráveis.

Para os fiéis da Diocese de Wukari, porém, a esperança perdura. Apesar das igrejas destruídas e das casas destruídas, os líderes diocesanos reafirmaram seu compromisso com a oração contínua e a defesa pacífica, expressando confiança de que a paz duradoura ainda é possível se justiça e segurança forem buscadas de forma significativa.

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